terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O que eu sinto mesmo?

Escrevo esse post, uns 5 minutos após "a crise" ter passado.
"A crise" é sentida pelo Lorenzo.
A crise, sempre começa pela coisa mais banal possível, hoje foi porque não tinha pão branco, e ele só queria pão branco.
A crise, na verdade é saudade, é a partida, é a raiva, e todos os sentimentos que ele com 4 anos não consegue explicar.
Sempre, SEMPRE, que alguém vem nos visitar e vai embora, ele passa por uma dessas. Fica furioso, bate, derruba as coisas no chão, grita muito, chora muito e depois de exaustão desmaia no meu colo.
Sempre a crise passa eu fico com a impressão de que mereço uma medalha, ou no mínimo uma menção honrosa, porque ver o filho desesperado com um sentimento que ele não sabe direito o que é, mas que machuca, é de moer o coração.
Vovô e vovó foram embora ontem, depois de 1 mês por essas bandas, imaginem!
Na crise, eu SEMPRE mantenho a calma, e me orgulho disso. Nomeio os sentimentos e digo pra ele que também sinto isso. Contei que chorei, que avós choraram na hora de ir embora, que é uma droga mesmo, eu concordo com ele, mas que a gente precisa sentir isso sem ficar tão furioso assim.
Ele não entende o porque da distância, o porque deles não poderem ficar aqui, se todo mundo quer isso.
O bom da crise, é que quando ela passa, ela para de sofrer. Como não sabe lidar com todos esses sentimentos (e quem sabe né?) o choro vem como forma de alívio, de catarse mesmo.
Agora, tomando banho com o pai, me disse que a garganta estava doendo, mas já esta rindo, e brincando normalmente.
A única vez que ele não teve a crise, foi quando voltamos no Brasil ano passado em agosto, MAS daí ele teve apendicite. De alguma forma parece que tudo isso tem que estourar, então que seja brigando e aprendendo aos poucos como lidar com tudo isso.
Nesse tempo que falta para nossa volta, ainda temos muitas crises pra aguentar. Que venham e ensinem meu pequeno que a gente se despede mas logo volta a se encontrar. E que tudo isso vale a pena.



Curtindo a neve com "véios" enquanto mamãe foi ali parir Alice....


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Da sinceridade materna....

Durante a gravidez da Alice eu e o Ber sempre falávamos que simplesmente não conseguíamos lembrar como um ser de cerca de 50cm poderia ocupar todo nosso dia (e noite). Que não era possível, ainda mais considerando que um recém nascido dorme 20 horas por dia!!
AUCH! esse foi o barulho de eu mordendo a língua. Pronto, agora lembramos.
Cerca de 20 dias atrás, quando eu ainda era gente, e não um ser escabelado, com olheiras de panda e motivação zero, eu realmente acreditava que bebês não são seres manipulatvos/tiranos/cujo objetivo da vida é te deixar louco, mas sim que se eles choram é existem um real motivo, seja fome ou necessidade de atenção.
Pois bem, Alice quase não chora. Desde que esteja no colo, de preferência o meu, claro, e tenha uma teta disponível por 24 horas. Seria lindo, caso a mamãe aqui vez que outra não precisasse fazer coisas sem importância como comer, beber, ir ao banheiro, tomar banho e vez que outra, rara admito, dormir!
Se ela ficar no colo, você querido leitor, pode passar 24 horas aqui em casa e não ouvir um único pio, mas a coisa não funciona assim né? E as 3 da manhã, tendo dormido 1 hora só, posso jurar que os psicólogos que chegaram a conclusão de que bebês são seres puros por natureza, ou nunca tiveram um RN ou subestimaram a inteligência dessa turma.
Agora imaginem a cena: Lorenzo a dois dias com termômetro não baixando de 39, Alice decidindo que não há lugar como o colo e o peito da mãe, de preferência a noite (pois claro, esqueceram de contar que eles dormem por 20 horas, mas aquelas 4 provavelmente serão das 12 as 6 da manhã) e está instalado o caos.
Bernardo chegou a conclusão que não ficava cansado assim a...a.... uns quase 5 anos? perguntei a ele, ou talvez não, porque naquela época éramos 2 adultos para uma criança, agora a marcação é mano a mano cansando mais ainda os jogadores.
Tá, eu sabia que ia ser assim. E eu sei que vai passar. Mas como esse blog tem por objetivo também fazer um "serviço a comunidade", fica minha sinceridade: é foda.
Quando conversamos com outras mães, é impressionante como sempre parece que só nosso filhos não dormem/ficam doentes/se jogam no chão/não comem/dão trabalho, quando na verdade a máfia materna dá de 100 no poderoso chefão: elas mentem!! ou omitem, pra ser mais carinhosa. Os filhos de todas já foram recém nascidos que não dormiam, crianças de 4 anos que ficam com febrão porque ganharam um irmão, a casa delas também virou um pardiero e assim por diante....
Não, eu não amo meus filhos menos por isso. Só amo filhos reais, e não o tipo que eu "achava que eles deveriam ser" .
Se eu fosse realmente, realmente sincera, tiraria uma foto minha agora e colocaria nesse post, fechando o "serviço a comunidade" com chave de ouro, MAS, para não afugentar a maternidade de queridas amigas que esperam ansiosamente por úteros recheados, achei por bem só colocar "o grito" aí de cima. Exemplifica bem, mas não assusta de uma maneira definitiva.


Em tempo queridas amigas: posso garantir que assim que conseguir dormir 1 ou 2 horas a mais, vou pensar que não foi bem assim... que eu exagerei... que na verdade eu até consegui dormir um pouco... esses são aqueles mistérios da maternidade e dos hormônios: a gente esquece a parte difícil e só lembra a parte deliciosa. Daqui uns meses vou estar sentindo saudade de toda essa bagunça. Ainda bem. Estou esperando por "esse mês."

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O irmão

Então ele se tornou um irmão.
Pra gente ainda é estranho falar "ah... a mana não sei o que... olha Alice o mano ta chegando.." esse novo ser pra nós ainda é estranho, o mano.
E como ele está curtindo.
Surpreendeu a todos, não tendo grandes crises de ciúmes, cuidando da pequena, se importando com as coisas dela, querendo saber onde ela está, o que está fazendo, se já está na hora de mamar.
Como esperado, pediu pra mamar. Eu disse: pode, mas vai estar cheio de leite, tu vai querer tomar leite de peito? e ele: blagh! kkkk Daí pediu pra pegar. Eu disse: pode, mas tua mão vai ficar toda molhada de leite, e ele: blagh!!! O negócio foi não negar. Dizer que podia, assim não sendo proibido, ele mudou de ideia, óbvio.
Ainda estamos naqueles ajustes de rotina.
Final do dia é sempre um caos. Quando o Ber dá aula então, e está fora de casa, viro o protótipo da mãe escabelada e louca. Fazer janta, dar janta pro Lo, amamentar, banho na turma, brincar, ler história.... chega a ser cômico se não fosse tão corrido.
O banho ainda está aquilo. Lorenzo quer todos os dias tomar banho com ela. Ou na banheira grande com um de nós junto, ou ao mesmo tempo. Ele na grande, ela na pequena.
Quer ver ela trocar fralda, ela mamando, ela acordada, ela dormindo... ele mesmo não consegue dormir ainda quando ela está no quarto no junto, pois não consegue relaxar.
Mas segue apaixonado. Quer pegar no colo toda hora, quer brincar, jura que ela sorri pra ele, e parece não lembrar como era a vida a menos de 2 semanas atrás quando ela ainda estava na barriga.
Essa noite resolveram fazer motim!!!
Ele no quarto dele, podre de gripe, se recusando a tomar o remédio pra febre, brigando, chorando, gritando. Ela no nosso quarto, solidária ao irmão, acordou, mamou e se recusou a dormir de novo, só querendo ficar no colo. Resultado: crianças acordadas até quase 3 da manhã, pais exaustos e com olheiras dignas de oscar de melhor maquiagem!! Acordei (as 7, junto com os dois, que obviamente acordam na mesma hora) e pensei: uma noite a menos. Isso passa.
Mas a diversão é garantida. Ontem resolvemos sair os 4 pra levar o Lo na escola e depois tomar um café no centro. Quem via a cena de longe se matava de rir: bebê com roupa de neve parecendo a Meg Simpson no colo da mãe, que tentava em vão tirar o menino mais velho gritando que queria ir no carrinho do bebê, deitado em cima do mesmo todo mole, com o pai negociando e pegando bolsa/chave/carteira/celular/capa contra ao vento/cobertor e tudo mais....
Resolvida a crise, caímos na risada, a que se ter bom humor ( e amor) acima de qualquer coisa.



sábado, 18 de fevereiro de 2012

12 dias

Hoje Alice está com 12 dias e aos poucos começa a demonstrar suas personalidade (e suas vontades)
É definitivamente um bebê mamador (assim como o irmão), mas surpreendentemente entrou numa rotina própria e está acordando só 2 vezes para mamar durante a noite, e pela manhã acorda junto com o irmão. Faz 2 dias que tem passado a manhã acordada, até as 11h, já mostrando as mudanças que se pequeno ser passa a cada dia.
O umbigo caiu com 4 dias de vida!!!super cedo (será que tem a ver com ela ter nascido um pouco depois?)
Alice ADORA banho. E quando digo adora, visualizem uma criança acordada, com os olhos bem abertos só curtindo estar imersa em água. Foi assim desde o primeiro banho. O choro começa quando tiramos ela do quentinho... outro dia tomamos banho de banheira os 3 juntos, eu, Alice e Lo, e ela dormiu no meu colo profundamente.
Com 12 dias de vida ela também já aprendeu que se gritar loucamente (ou só resmungar se for a vó ou a tia) as pessoas a salvam do berço com espinhos, ou da cadeira assustadora... neste momento escrevo com ela no colo bem aninhada no meu peito.
Ontem notamos que parece que ela começa a prestar atenção nas coisas. Olha com interesse e tem ficado acordada cada dia por mais tempo.
Lorenzo está se saindo um irmão queridão. Surpreendeu a todos. Não tem ciúmes, e quando sente, fala: to com ciúmes porque Alice ta mamando no tetê. A única coisa é que não consegue desligar, dormir. Quer ficar perto dela, dormir abraçado e enquanto fica ouvindo ela resmungar e fazer barulhos, não dorme. Eu também me senti assim nos primeiros dias. É difícil dormir e pensar que ela vai ficar "sozinha", e é isso que ele sente também.
Estamos ainda organizando nossa rotina.
Final do dia é sempre meio caótico: janta, banho, colocar pra dormir, ler história, dar mamar... cada dia mudamos uma coisa até achar o jeito que irá funcionar pra gente.
Ainda estamos naquela fase de que não sabemos se vivemos (ler um livro, ver os e-mails com calma, assistir um filme) ou se dormimos. Temos optado por dormir, mas ontem conseguimos, juntos, com as duas crianças dormindo (iei!!!) ver um seriado de 20 minutos antes de capotar as 22:30.
Eu e o Ber, pais de um meninão que capota as 20 e só acorda as 7, estávamos super acostumados a ter um tempo pra gente, e nesses primeiros dias, sentimos falta, mas nada que um resmungo da pretinha não faça valer cada segundo.

Em tempo, ADORO dizer: já viu as crianças? ta no quarto das crianças.... porque quando as crianças crescerem... adoro o plural!







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Parto


Escrevi um relato de parto enoooorrrrmmeee, 3 dias depois que ela nasceu, mas estranhamente não me sinto a vontade pra colocar aqui. Parece um evento tão pessoal, que me sentiria por demais exposta, então deixo para a família e amigos próximos....

Como coloquei aqui, com 36 semanas tivemos um episódio de líquido baixo, ascendendo as luzes da equipe que me acompanhava de longe na clínica do VBAC (parto natural pós cesárea), em outro exame com 38 semanas, a parteira achou que em 1 hora Alice mexeu muito pouco, fazendo piscar todos os alarmes. COm 40 semanas completas, tivemos uma consulta com a obstetra que achou melhor não deixarmos passar muito das 40 semanas, e com 40+4 marcou para induzir o parto.
Ficamos muito em dúvida, mas resolvemos encarar.
O processo todo foram 38 horas. 30 horas em trabalho de parto ativo, com contrações.
Primeiro aplicaram um comprimido no colo do útero que fez ele amolecer. Depois mais uma aplicação que fez o colo dilatar 2 cm, facilitando assim o rompimento da bolsa. Depois da bolsa rompida.... bom, aí a brincadeira começou de verdade. Para intensificar (!!!!!!) as contrações, utilizaram ocitocina, potencializando a dor em algo que nem me lembro!! (ou não quero lembrar).
As 2 da tarde de segunda, a 22 horas em trabalho de parto ativo, com 3cm de dilatação pedi anestesia, jurando que acabaria com as dores.
Aqui, aplicam uma peridural móvel, ou seja, em doses menores que possibilitam caminhar, sentar, e se locomover normalmente, e de quebra, não some com as contrações possibilitando a gente sentir e fazer tudo que puder para ajudar o trabalho de parto.
Usei bola de pilates, posições de cócoras, agachamentos vários, e muuuuuuuuuita respiração funda e visualização, me focando na pretinha que estava por chegar.
As 18hs, 5cm de dilatação. Calculamos que lá pela meia noite a dilatação estaria completa.
Para nossa surpresa, lá pelas 20:20 um tremor incontrolável se apossou do meu corpo, com muita vontade de vomitar e empurrar. A parteira falou: vamos ver como está tudo.
Quando me examinou e disse: não sinto mais nada, dilatação completa, empurra um pouco pra gente ver. Fiz isso e ela: ela está aqui, e tem o cabelo bem preto. Cai no choro na hora e só dizia: eu to feliz, eu to tão feliz. Simplesmente não acreditava que tinha chego até ali e que estava na hora do show.
Fiquei de quatro apoiada na guarda da cama de mão com o Bernardo.
A parteira levantou, diminuiu as luzes, ligou a cama quentinha caso ela precisasse, e sentou para esperar. Perguntei: o que eu faço? e ela disse: tu vai saber.
E assim foi, em 20 minutos, depois de 30 horas, Alice nasceu. Escorreu de mim em uma sensação única nessa vida. A parteira tirou o cordão que estava enrolado no pescoço e nos ombros, e passou ela pro meu colo. Quando o cordão parou de pulsar ofereceu para o Bernardo cortar. Uns 10 minutos depois a placenta saiu e ela veio nos mostrar e explicar como ela estava funcionando. E ficamos ali por mais de 1 hora enquanto Alice mamava, mamava, mamava.... 2 horas depois levantei para tomar banho e ela foi pesada, medida e o papai vestiu e colocou uma faixa de cabelo.
O respeito que tivemos durante todo o trabalho de parto foi algo que nem consigo descrever. A parteira ficou ao nosso lado todo momento, oferecendo chá, torrada e apoio. Me incentivou na hora do expulsivo elogiando, e assim que colocou ela no meu colo, saiu da nossa vista e deixou a família ali se conhecendo.
4 horas depois poderíamos ter ido pra casa, mas como a cidade estava de baixo neve, resolvemos ficar até de manhã. Ber foi pra casa, e as 10:30 trouxe o irmão mais velho e lindo do mundo pra conhecer a irmã.
Ele chegou no quarto e perguntou: cadê ela? quando viu ela deitada na cama só falou: ela é linda...
Meu coração explodiu, parou, e agora segue batendo pra curtir essa turma de lindos!!
Estamos muitos felizes.