domingo, 11 de agosto de 2013
Velho Mundo, foi um prazer.
Já pensei, revisei, comecei e desisti desse post várias vezes. Mas agora vai.
As malas estão prontas (HA-HA, só que não) a casa está produzindo eco e nossa vida está prestes a mudar de novo.
Não existe nada que eu possa escrever que consiga explicar o que estamos sentindo agora.
"...ninguém precisa mais me dizer
como é estranho ser humano nessas horas de partida..."
A despedida dessa vez tem um gosto diferente pois nós somos pessoas diferentes. Quase dez anos atrás, quando me despedi de Curitiba, tinha aquela sensação de que nunca mais veria aqueles meus amigos... que era um adeus. Mas a vida deu um jeito de mostrar que as coisas não funcionam do jeito que a gente pensa e curtimos Londres com nossos amigos irmãos, mesmo depois de dizer tchau.
Agora, estranhamente, me dói no fundo do coração me despedir dessa cidade.
Foi aqui que 3 anos atrás uma família de 3 desembarcou cheia de medos, saudades e desafios.
Foi aqui que vimos a neve, amamos, odiamos, amamos de novo e decidimos que é bonita, mas não por 7 meses....
Aqui tivemos um menino de 3 anos que encarou escola, colegas e professores sem saber o que eles diziam e foi aprendendo, crescendo e se tornando esse guri inglês/brasileiro que ele é.
Foi por aqui que tivemos 3 testes positivos de gravidez e duas perdas tão doloridas.
Aqui, em uma cidade com temperaturas negativas coberta de neve, renasci em um parto cheio de respeito que trouxe nossa preta linda e bagunceira.
Aqui, longe de todo mundo, encaramos os desafios de ser expatriados, encaramos criança hospitalizada, febre de 40 graus, escurecer as 4 da tarde, mas principalmente, vivemos essa vida familiar tão intensa e linda.
E aqui tem Londres....
Ja contei antes (me deixem, sou pisciana, mãe e to me despedindo) quando eu tinha uns 13 anos, sonhava em conhecer Londres. Minha tia na época fez uma viagem em família e na volta me deu seu guia da folha Londres com um cartão dizendo: "longe é um lugar que não existe". Ele ficou guardado, e anos depois ao precisar dele (EM Londres) me caiu como um afago no coração. Eu passeava por aquela cidade, eu estudava naquela cidade, eu estava ali.
Na verdade fica aquela dor de estar deixando pra trás um lugar que nos fez felizes, mudados, nos proporcionou tanta novidade, tanta coisa legal.
Mas sentimos no fundo do nosso coração que nosso tempo por aqui acabou.
Queremos nossos pequenos perto dos avós, queremos natais animados e aquele abraço de pai e mãe na hora que as coisas não estão bem. Queremos desafios profissionais, fazer parte das mudanças do nosso país e compartilhar com tanta gente tudo que aprendemos aqui.
O chá com Picanha está se aposentando e mesmo que não se manteve atualizado nos últimos tempos (podem culpar a Alice com certeza) ele fica no meu coração profundamente.
Foi aqui que dividi com gente que eu nunca vi a nossa vida e a nossa experiência em colocar a mochila nas costas e partir. Vou deixar ele como está, não vou tirar do ar, porque adoro revisitar a nossa história e mostrar para o Lo, e agora pra Alice, que documentei muita coisa do que acontecia na vida deles.
Nos sentimos muito privilegiados de ter tido essa experiência e muito, muito felizes (e orgulhosos) por termos saído dela tão bem, com uma família mais linda ainda e cheios de possibilidades pela frente.
Quem sabe em alguns anos, Lorenzo ou a inglesinha Alice não resolvem revisitar o lugar onde tiveram uma infância tão livre e linda e continuem o Chá com Picanha com o jeitinho deles.
O mundo não para.
Ainda bem.
Boa viagem.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Passagem,bagunça e desapego
Quem me acompanha pelo face, semana passada ficou sabendo que a volta da família para a Brasil está agendada. Na metade de agosto estarei desembarcando com as crias enquanto Bernardo finaliza seu livro e dá um pulinho ali em Tóquio a trabalho.
Com a passagem na mão a urgência da volta se fez presente e tudo voltou a bagunça original. A casa, as cabeças e o coração.
Viajar leve é privilégio de quem não tem filhos.
Filhos trazem com eles, tralhas (muitas), brinquedos, pecinhas, desenhos, rabisco, primeiras experiências e memórias. Principalmente memórias.
Estou naquela infernal fase de resumir a vida de 4 pessoas em poucas malas.
E M P O U C A S M A L A S
Se fosse uma questão de catar roupas, livros e acessórios, faria tudo em 10 dias. Mas não, eu tenho filhos.
Tenho o caminhão gigante dado pelo tio que salvou a sanidade do pequeno enquanto a casa em Porto Alegre era desmontada. Tenho as ferramentas que foram dadas pelo dindo quando ele tinha 1 ano e meio e agora Alice usa a furadeira e se mata de rir. Tenho o cachorrinho que deve ter custado 1 libra, mas que foi e voltou em todas as viagens, e que esquecido no Brasil, custou 100 reais para voltar aos braços do menino com saudade...e papéis. Muitos papéis.
Seria ótimo se fossem rabiscos insignificantes. Mas é o desenho da nossa família quando eu tava grávida. É o desenho de Paris. É o desenho da nossa família depois que Alice nasceu. É a coroa (gigante) feita por nós 4 no dia da família na escola em homenagem ao Jubileu da Rainha. É a primeira palavra que ele escreveu. A primeira história. A primeira vez que interpretou um texto em forma de arte, a primeira atividade que fizemos em um museu em terras inglesas, testes de gravidez, borrões que são chamados de ecografias, pulserinhas de recém nascido.....e segue infinitamente.
Como selecionar memórias quando o espaço é mínimo e o coração quer guardar tudo para não esquecer de nada pela estrada?
Estamos felizes de voltar. Estamos chateados de voltar. Tudo junto ao mesmo tempo. Porque simplicidade emocional é para os fracos :)
Mas esse exercício de desapego...
Hoje sentei no chão e comecei. Vi os desenhos, lembrei quando foram feitos, separei alguns que precisam fazer parte da história deles (e nossa) e o resto joguei nessa caixa da foto. Ainda não estão no lixo pois parei o que estava fazendo para vir escrever e ganhar um tempinho.... agora vou dar para o Ber olhar também e depois seguir o curso.
Tenho certeza que a volta será ótima. Que uma vida nova nos espera cheia de aventura, amor, festas em família e espaços vazios esperando serem preenchidos por novos papéis e memórias.
Até chegar a hora deles serem esvaziados de novo.
Ou não.
"Procuro despir-me do que aprendi
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...
domingo, 21 de abril de 2013
O menino dos meu olhos.
Eu sempre quis ser muita coisa. Muito coisa. Lembro de querer ser adolescente, depois de querer sair com o namorado, querer viajar, ser bióloga, jornalista, musicoterapeuta, ter dúvidas a respeito de tudo, mudar de ideia, e querer outras coisas bem diferentes.
Mas no dia 21 de abril de 2007 a vida me entregou o querer que eu sempre tive certeza absoluta de querer. SEMPRE. E ele veio gritando a plenos pulmões mesmo antes de sair da barriga já mostrando sua personalidade. Veio com cheiro de filho.
Hoje meu menino faz 6 anos e como ele mesmo diz, é um garotão.
Nos últimos meses cresceu de maneira incrível. Está alto, perdeu a carinha de menininho e cada dia que passa me aparece com argumentos e perguntas que nos enchem a cabeça de dúvidas e o coração de amor.
Tem melhores amigos, precisa de privacidade pra certas coisas e passa um tempão lendo sozinho em um canto.
Lorenzo nos desafia todos os dias. Com ele nao dá pra ligar o piloto automático pois nos surpreende de tantas maneiras que sempre prcisamos pensar, trocar, decidir, mudar. Lorenzo nao veio a passeio. Filho com F maiúsculo.
E ele é tão lindo. Quando cabeludo tem cachos rebeldes em volta do rosto, quando curto tem cara de moleque bagunceiro e todos os dias tem o sorriso mais doce que já se viu por aqui.
Ele é sensível. Nao gosta de injustiça, se indigna, briga e se enfurece pra depois chorar a batalha perdida. Continua enchendo os olhos de água quando brinca com a irmã e sempre diz o quanto ama e o quanto gosta de ter um bebê.
Filho querido: meu amor é tão grande mas tão grande que nem cabe mais só no meu colo por isso te desejo o mundo inteiro e que enquanto couber a nós mostrá-lo faremos do melhor jeito possível. Depois de tantos quereres, tudo que eu quero agora, é que. tua vida seja cheia de felicidade, aventuras e todas as coisas que tu escolher pra ela.
Te amo daquele jeito que tu sabe.
D.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
16 de fevereiro
Queridos, hoje é o dia.
É o dia de nervosismo, de expectativa, de felicidade.
É o dia de dizer sim um ao outro.
Na verdade, é o dia de dizer sim perante amigos e familiares que os amam, porque tenho certeza que já disseram sim um ao outro muito tempo atrás.
É dia de inaugurar a expressão " lá na casa dos meus pais" ainda inexistente no vocabulário de vocês.
É dia de surpresas, de sorrisos, de explodir de felicidade.
É dia de plantar sementes que irão gerar tudo o que vocês quiserem. Viagens, trabalhos, filhotes, amor, parceria. E que essas sementes sejam fortes mas flexíveis para quando a terra endurecer e a colheita não ser bem aquilo que desejarem.
Tenho motivos para ter certeza que apesar de toda essa felicidade que sentem hoje, ela é só uma janela linda e colorida para toda a alegria que essa vida a dois está trazendo pra vocês (meus dois motivos estão correndo aqui em volta brincando juntos....)
Meu coração está explodindo de amor por ver de pertinho essa família começando e o quanto vocês estão felizes com isso.
Boa vida queridos. Amo vocês.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Então ela é 1*
*na tradução literal do Lorenzo
Um ano atrás, numa Norwich coberta de neve, nascia nossa pequena.
Nasceu do jeitinho que a gente sonhou, num parto lindo e transformador.
Nasceu pra trazer cor de rosa a família acostumada com azul. Nasceu pra aumentar a família e multiplicar o amor.
Do alto de seu um ano, Alice começa incrivelmente a se afastar do bebezinho que foi até pouco tempo atrás.
É toda trabalhada no bom humor. Mas o que tem de simpatia tem de drama. Segue chorando e jogando a cabeça pra trás no maior estilo diva. É extremamente carinhosa. Abraça, beija, dá cheiro e poderia passar o dia no colo grudada bochecha/bochecha.
Já sabe vários "truques" como todo bom bebê. Da tchau, manda beijo, bate palma e agora da abraço apertado gemendo como se fosse explodir que é algo muito engraçado.
Diferente do irmão que no aniver de 1 ano já corria, a moça aqui vai com cuidado. Caminha de mãos dadas, engatinha que nem um foguete, mas compensa a aquisição falando. Fala mama, papa, tete, já disse um "vóv" quando falei vovó e chama o irmão de "dada".
No primeiro aniversário do Lo fizemos uma festona, com direito a salão e decoração. Quando nos diziam que ele não entenderia nada, eu só pensava: mas a festa é para nós!
Comemorar o primeiro ano de um filho é para os pais. Tem aquele gosto de eu sobrevivi consegui. Tem a compensação das noites em claro, das dúvidas que apareceram, dos medos que surgiram.
É uma delícia e ao mesmo tempo um aperto ver o quão rápido ela cresceu. Ver a menina tomando forma conforme os cachos do cabelo vão aparecendo.
Filha querida: o mundo inteiro te espera cheio de aventuras, coisas lindas e incríveis pra conhecer e descobrir, basta estar atenta e aberta pra elas. Te amamos muito, do tamanho do universo e como diz o mano "exatamente do jeito que tu é" . Feliz aniversário flor.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Muito dinheiro no bolso seria ótimo, mas saúde pra dar e vender é o que importa.
Começou com um pai, uma mãe barriguda e um menino contando os dias. Terminou com um pai, uma mãe menos barriguda, um menino feliz e uma meninona mimosa e cheia de personalidade.
Final de ano sempre me deixa emotiva., mais que no natal. Eu sei que na prática a coisa não muda, mas gosto de pensar no que estamos encerrando e nos 365 dias de oportunidade que se apresentam na nossa frente.
Os últimos anos foram intensos e cheios de descobertas, para todos nós. Esse 2013 fresquinho que esta chegando aí não será diferente.
De cara, no segundo mês dele, teremos uma menina de 1 ano!! Um ano já!!!!! Poucos dias depois a família oficialmente aumentará quando a gatona e o grandão falarem SIM um para o outro e colocarem na lista dos de Souza um jogador de rugby. E do meio para o final do ano teremos 4 seres cheios de saudades, medo, alegria e expectativa voltando para a bagunça familiar! Já chegou o ano!!!!
Nosso 2012 se despede com a cara que teve nossos anos aqui, nós 4 juntos, na nossa casa, curtindo nosso ninho.
Resumindo a função, dia 21 Lorenzo começou com uma febre, que se seguiu na mocinha, que resultou em crianças com escarlatina, antibiótico e febre de 40 graus. Por ser muito contagiosa cancelamos as festas com os amigos e esperamos o papai noel tranquilos, curtindo presentes e colocando os doentinhos na cama cedo para melhorar.
Hoje, as crias estão bem melhores, sem febre e no final do curso de remédios, mas papai pegou uma gripe daquelas e está exercendo seu direito de ser cuidado e mimado.
Teremos uma janta com amigos queridos que acabaram de se mudar para Norwich de novo, crianças irāo brincar, brigar, adultos irāo conversar e tomar vinho e 2013 será recebido de braços abertos.
Eu como sempre, desejo que o seu 2013 seja CHEIO das coisas que te fazem feliz: viagens, dinheiro, estudos, filhos, saúde e tudo aquilo que é de mais querido e importante na tua vida. Que a gente saiba curtir os 365 dias recém nascidos do jeito que a gente escolher, e que cada um saiba entender e respeitar essas escolhas dos outros.
Para nós, eu quero saúde,viagem, gargalhadas de irmãos, namorar meu lindão e construir uma nova vida linda no velho país tropical que está nos esperando de braços abertos.
Vem 2013, seu lindo.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
9 dentro 9 fora
| foto by Dani Heisler |
Eu tenho posts lindos, emocionantes e engraçados na minha cabeça todos os dias.
Só os dedos e o tempo que não me acompanham...
Mas hoje vim comemorar os 9 meses da nossa flor.
Flor é um apelido engraçadinho e mimoso, assim como ela, mas não resumem essa brasileira/inglesinha nem de perto.
Alice com seus 9 meses de vida já tem uma personalidade impressionante. É toda trabalhada no bom humor. Ta sempre numa boa distribuindo sorrisos e charminho por onde passa. Acorda sorrindo, vai dormir sorrindo e é só falar fino com ela que pronto, tá garantido a brincadeira
O que tem de bom humor compensa em drama.
Bernardo ontem mesmo falou: Alice, só tenho pena do teu namorado, porque olha... a guria é chegada num drama inacreditável.
Vai colocar ela na cadeira pra comer? se atira pra trás, jogando a cabeça e os braços enquanto grita, no maior estilo : me olhem por favor.
Sabe nenê quando cai de cara no chão e chora daquele jeito que todos saem correndo pra ver o que aconteceu? assim é quando se tira alguma coisa da mão dela. Chora como se não houvesse amanha (sempre atirando a cabeça pra trás que é pra causar impacto) e se o objeto em questão é devolvido, abre um sorriso (de olhos secos, óbvio, porque drama queen não derrama lágrimas por nada certo?) e segue como se nada tivesse acontecido.
É louca por controle remoto, fios e colares da mamãe, mas seu brinquedo favorito ainda é o irmão.
É simplesmente apaixonada por ele, e segue gargalhando e lançando olhares que são exclusividade dele e para ele.
A nova moda é que brincam de esconder.
Ele se esconde e ela vai engatinhando atrás pra descobrir onde ele está.
Ah, não falei que ela engatinha? Engatinha por tudo, rápido que só e obviamente vai atrás só do que não pode.
Aos poucos eles começam a brincar um com o outro.
Ficam no quarto juntos, Lorenzo vai conversando com ela, contando, ensinando e ela ali, como estátua olhando e admirando ele.
Ontem deram folga brincaram uns 10 minutos e depois ele disse: mães, nós conversamos e agora queremos ir brincar lá embaixo...
E assim segue nossa vida.
Estivemos em Berlim semana passada, e um post está sendo devidamente escrito pensado, mas prometo que terá até fotos!!
Feliz mesversário pretinha.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
"eu prefiro seeeeerrrr, essa metamorfose ambulante"
Fazem dias que estou gerando um post sobre mudar.
Nada muito específico, por isso a dificuldade de colocar no "papel".
Eu mudo de ideia. O tempo todo.
Como mãe então!!! não consigo ser nem fazer diferente. Não sou a mesma mãe pra Alice bebê que fui com o Lorenzo bebê! quem eu to querendo enganar, não sou agora a mesma mãe pra eles que fui 1 mês atrás!!
Tenho mil escolhas que faria diferente, tem outras mil que me orgulho pra caramba, e essa é a minha história.
Se a Daniela de hoje voltasse no tempo e encontrasse a Daniela mãe do Lorenzo com 8 meses (passado o desmaio do choque de me ver na minha frente) elas certamente se pegariam no pau nervoso. Rolariam no chão, puxariam os próprios cabelos, palavras de baixo escalão seriam ouvidas, e depois as duas se abraçariam, chorariam, chegariam a conclusão de que na verdade não sabem de nada e voltariam a discutir se iriam tomar um chimarrão ou um chá inglês.
Eu voltei a trabalhar quando o Lo tinha 40 dias. Hoje passo o dia com a preta.
Lorenzo não dava um resmungo sequer sem alguém checar se ele estava bem. Alice não fica chorando, mas esperar um pouco não custa nada certo?
Já pensou essas duas mães tentando chegar a um acordo?
A realidade é que ser diferente é ótimo.
Já pensou se todas as família criassem os filhos iguais?
Teríamos adultos em série, ou bons em esporte já que só brincavam na rua, ou gênios da informática que passavam horas na frente de uma tela.
Já fui mais radical quanto a televisão. Lorenzo ja passou DIAS sem poder assistir um desenho. Hoje depois da escola tem seu momento de pernas para o ar.
Já fui menos radical quanto a alimentação: teve uma época que bolachas recheadas eram comidas diariamente, hoje nem compramos mais.
Fiz uma cesárea, fiz um parto normal.
Mudei de ideia.
Com relação a filhos, muita gente passa a impressão de que tem todo o plano pronto. "Meus filhos farão isso nessa hora, depois vai acontecer assim, e depois assim" deixando a meu ver, uma fenda enorme para a frustração entrar.
Eu decidi amamentar o Lo por 6 meses e depois introduzir a comida e parar de amamentar. Aconteceu que ele não aceitou NADINHA e acabou mamando por uma eternidade.
Eu decidi que já que amamentei um tempão e foi bacana, Alice poderia ser amamentada por um tempão também. Acontece que ela AMA comer e fica numa boa sem o peito durante o dia.
Se eu fosse resistente a mudanças, estaria perdida!
![]() |
| eles são lindos, bonitos e não deixam a mãe ter certeza de nada. |
Com relação a filhos, muita gente passa a impressão de que tem todo o plano pronto. "Meus filhos farão isso nessa hora, depois vai acontecer assim, e depois assim" deixando a meu ver, uma fenda enorme para a frustração entrar.
Eu decidi amamentar o Lo por 6 meses e depois introduzir a comida e parar de amamentar. Aconteceu que ele não aceitou NADINHA e acabou mamando por uma eternidade.
Eu decidi que já que amamentei um tempão e foi bacana, Alice poderia ser amamentada por um tempão também. Acontece que ela AMA comer e fica numa boa sem o peito durante o dia.
Se eu fosse resistente a mudanças, estaria perdida!
O que não muda é que a criançada vem com um chip de fábrica dizendo pra fazer tudo diferente do que os malucos que elas chamam de pais acham que elas vão fazer.
Quem precisa de certezas.
E de ter a velha opinião formada sobre elas.
Quem precisa de certezas.
E de ter a velha opinião formada sobre elas.
domingo, 7 de outubro de 2012
Raymond, o chinês.
雷蒙
raymond
"hoje no karatê eu conheci um chinês que se chamava Raymond..."
Assim começou a frase do Bernardo. Na hora explodi rindo.
Ele conhece ao todo 3 chineses por essas bandas: Raymond, Ryan e Jeffrey!!!
Certamente esses não são os nomes deles, rolando por aqui a discussão: é "certo" abdicar do próprio nome para facilitar a vida em um país diferente?
Ber defende que sim. Que pra não perder tempo explicando e corrigindo todo momento, eles fazem bem em adaptar, se adaptar, aos padrões ingleses. Eu não acho.
Não sabemos se é uma coisa cultural, se é opcão individual e aconteceu de por acaso ficarmos conhecendo os únicos chineses/ingleses de Norwich ou se é a universidade que recomenda que eles façam a troca, mas não interessa, acho que qualquer uma das opções é complicada.
Nome é identidade. É como tu apresenta ao mundo. É parte da tua cultura, do teu país de origem.
Prefiro acreditar que não seja uma orientação da universidade, pois caso seja, acho preocupante.
Nos último tempos, o Reino Unido tem dificultado a entrada de estrangeiros no país, com a desculpa da conhecida crise econômica. Os estrangeiros que são aceitos (nós!) passam cada vez mais problemas e exigências absurdas feitas pelo governo. Tipo assim: nós te aceitamos, mas faremos a tua vida difícil para que tu não queira ficar por aqui.
Abrir mão do próprio nome, ao meu ver, diz para eles: vocês estão certos, esse é o único meio de se viver, por favor não me mande embora, quando na verdade manter o próprio nome pode ser dizer: "nossa, esse país é legal, ele só tem a ganhar com o que eu posso oferecer"
Para mim, morar em um lugar diferente acrescenta tanto para o estrangeiro quanto para o nativo, pois a riqueza está justamente na troca. Que vai da aceitação a mulher coberta pela burca, ao respeito de aprender e pronunciar o nome do colega, seja ele qual for.
Na nossa comunidade de mil culturas, fizemos questão de pronunciar o nome das pessoas na língua a qual elas pertencem, não só por respeito, mas por diversão também! Quantas chances temos na vida de numa tarde (hoje) ter na rua brincando: 1 brasileiro, 1 nijeriana, 2 canadenses, 1 francês, 1 português, 1 Italiano e 1 inglês? bora chamar a criançada pelos seus nomes certos e valorizar o mundo de onde eles vieram. Difícil? enrola a língua pra chamar o brasileiro, faz beicinho para o francês, capricha na entonação com o italiano que tudo da certo.
Acredito que boa parte da troca se perde ao chamar um chinês de Raymond, seja por qual motivo for.
O mundo tem um tantão de coisas bacanas (e diferentes) espalhadas por aí. Por mais impronunciável que seja, vale o esforço do respeito a identidade do outro. E que se for impossível, as risadas estão aí para fazer todo mundo se entender.
Porque "todo mundo é igual" é uma mentira do caramba.
Ainda bem.
sábado, 6 de outubro de 2012
"agora na pareeeeede"
Muito tem se falado ultimamente sobre consumismo infantil. Com a proximidade do dia das crianças a discussão toma proporções maiores e fiquei refletindo em cima disso.
Lorenzo é umas crianças menos consumistas que conheço. Poucas vezes ele quis muito um brinquedo ou alguma coisa.
Natal passado ele esperou ansiosamente por um arco e flecha e pela caverna do Batman, que o papai noel trouxe fazendo a alegria dele, mas se não tivesse ganho, tudo estaria bem também.
Não vou dizer que a cena clássica da criança chorando na loja de brinquedos nunca aconteceu, porque claro que já passamos por isso, mas na grande maioria das vezes ele se contenta em olhar e ir embora.
Ele tem muitos brinquedos. Não fazemos parte do time que não apoia que a criança ganhe presentes, ele tem avós, tias, tios, dindos, que sempre enviam brinquedos em aniversário, natal e dia das crianças. Mesmo aqui, onde não se comemora, fazemos questão de celebrar o dia das crianças com um bolinho e um passeio diferente, pois acreditamos que é legal as crianças terem um dia especial só delas.
Nós nunca fomos de comprar presentes "fora de época". Salvo um mini figure Lego, ou um livro, ele sabe que brinquedos existem datas para serem ganhos, por isso valoriza tanto quando consegue juntar umas moedas no seu cofrinho e comprar "com o dinheiro dele".
Muito desse não consumismo eu relaciono a "televisão controlada" que temos por aqui. Televisão na verdade é modo de dizer, porque a muitos anos ele não assiste TV aberta, somente o que baixamos pela internet, levando de brinde zero comerciais.
A diferença disso percebi na nossa temporada no Brasil, onde ele assitiu muito discovery kids.
Ele voltou sabendo todas as músicas, decorando toda as falas e sabendo onde comprar cada brinquedo. Ficou dias com "agooorrraaaa na pareeeedddeee" de uma pista de carros que fica grudada na parede, e com o musiquinha de uma restaurante onde servem porções infantis.
Até agora, 1 mês depois, as vezes vejo ele assoviando a tal música, numa lavagem cerebral impressionante.
A BBC, canal público inglês (como a TV cultura no brasil) é proibida de passar comerciais, salvo de seus próprios programas. Toda a programação é educativa. Obviamente, os programas possuem produtos associados, como o Mister Maker, que tem canetinhas e kits de artes, mas na BBC não aparecem esses produtos.
Agora com o dia das crianças chegando (e os presentes também) já começamos a fazer uma seleção de brinquedos que ele quer passar adiante para que outras crianças possam aproveitar também aquilo que ele gostava.
Nós gostamos de presentear ele com coisas que sabemos que irão durar mais do que alguns minutos e animação. Provavelmente por aqui, ele terá quebra cabeças, jogos de grupo e acessórios de desenhos, que ele tem curtindo muito ultimamente.
Fica minha campanha, se não for contra o consumismo, é pelo menos de um consumismo mais consciente.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
"tempo, tempo, tempo mano velho..."
Cof cof cof, bora tirar a poeira do blog que faz tempo.
Voltamos das férias com tudo diferente por aqui.
Novos horários, novas aulas, novos amigos.
Estou estudando em um centro Musicoterápico em Londres, realizando um sonho que iniciou antes mesmo da faculdade.
Minha volta aos estudos mudou bastante nossa rotina, bagunçando umas coisas e acertando outras.
Lo tá naquela vida "difícil" de moleque. Seja da escola, pega a bike, encontra os outros moleques e ficamtocando horror brincando até alguém se machucar ou uma mãe chamar, o que acontecer primeiro.
Alice tá uma gatona, comendo de tudo, quase quase engatinhando e se mostrando uma bagunceira de primeira IGUAL ao irmão. Ontem mesmo estavam os dois brigando (sim, verdade) no tapete, porque ele tentava montar um quebra-cabeça e ela tentava pegar as peças e colocar na boca. Ele tirava dela, que respondia com gritos histéricos batendo as mãos furiosamente no chão (!!!!!!)
O frio ta chegando
De um dia pro outro acabou o verão e o outono se instalou. Durante o dia temos máximas de 13 ou 14 e as noites podem ser bem chatinhas. Hoje o vento estava daqueles de cortar a cara. Para o Lorenzo foi o dia de colocar um moleton, porque só assim ele sente frio.
Em breve a família viajante perderá carrinhos, terá crianças semi-vestidas e cocôs explosivos em outros cantos do mundo, ou não, já que tudo haverá de dar certo, as crianças não enlouqueceram e não passaremos vergonha por aí.
Ha Ha. Nem eu acreditei nessa.
Voltamos das férias com tudo diferente por aqui.
Novos horários, novas aulas, novos amigos.
Estou estudando em um centro Musicoterápico em Londres, realizando um sonho que iniciou antes mesmo da faculdade.
Minha volta aos estudos mudou bastante nossa rotina, bagunçando umas coisas e acertando outras.
Lo tá naquela vida "difícil" de moleque. Seja da escola, pega a bike, encontra os outros moleques e ficam
Alice tá uma gatona, comendo de tudo, quase quase engatinhando e se mostrando uma bagunceira de primeira IGUAL ao irmão. Ontem mesmo estavam os dois brigando (sim, verdade) no tapete, porque ele tentava montar um quebra-cabeça e ela tentava pegar as peças e colocar na boca. Ele tirava dela, que respondia com gritos histéricos batendo as mãos furiosamente no chão (!!!!!!)
O frio ta chegando
De um dia pro outro acabou o verão e o outono se instalou. Durante o dia temos máximas de 13 ou 14 e as noites podem ser bem chatinhas. Hoje o vento estava daqueles de cortar a cara. Para o Lorenzo foi o dia de colocar um moleton, porque só assim ele sente frio.
Em breve a família viajante perderá carrinhos, terá crianças semi-vestidas e cocôs explosivos em outros cantos do mundo, ou não, já que tudo haverá de dar certo, as crianças não enlouqueceram e não passaremos vergonha por aí.
Ha Ha. Nem eu acreditei nessa.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Bom dia e tudo pelado!
Essa semana fui com Lorenzo e sua turma a forrest school. Atividade semanal onde as crianças passam 2 horas explorando, brincando e estudando dentro de uma pequena floresta do bairro (para os brasileiros, é tipo a redenção).
Assim que entro na sala se aproxima de mim um dos colegas dele e fala: bom dia.
Eu super espantanda pergunto pro Lo como ele sabe português, ao que ele todo orgulhoso responde: eu que ensinei pra ele algumas palavras.
Fiquei feliz da vida pelo Lorenzo estar ensinando aos amigos um pouco dele e bla bla bla, até que no meio da floresta os dois se dão as mãos e começam a cantar e pular em alto e bom som: TUDO PELADO!!! TUDO PELADO!!! TUDO PELADO!!! e Lorenzo cai na risada enquanto o menino vira pra mim e diz (em inglês): eu sei falar português também.
Eu não sabia se ria, se explicava pro guri o que ele estava falando, ou se deixava pra lá.
Acabou que não aguentei a gargalhada e só pedi pro Lorenzo ensinar coisas assim, mais úteis, aos amigos.
Podia ser pior, algo bunda ou um palavrão daqueles.
Nada como uma criança espertinha poliglota.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
2 anos de mochila nas costas.
Um dia casal um casal de jovens pegou sua criança de 3 anos e deixou pra trás família, empregos bacanas e amigos queridos e se mudou para ver outras estradas.
Não somos nós.
Em 1985 meus pais me pegaram pela mão e fizeram uma grande mudança de vida. Em 2010, pegamos o Lorenzo pela mão e fizemos a mesma coisa.
Só percebemos essa "pequena" semelhança de história um tempo atrás. E foi muito legal.
Sempre escutamos o quanto as pessoas admiram essa nossa jornada e muitas dizem que jamais teriam de coragem de fazer isso. O que nem todo mundo percebe é que cada um tem a sua própria "inglaterra". Para uns é mudar de país, para outros encarar um filho, comprar um apartamento, investir na própria empresa. A verdade é que todo mundo nessa vida já precisou em algum momento botar a mochila nas costas com a fé de que vai dar certo e partir. E é isso.
Hoje fazem 2 anos que estamos na estrada.
Ano passado, quando escrevi aqui sobre o nosso primeiro ano na Inglaterra, tudo ainda era novidade. Estávamos encerrando um ano complicado (lembrando, as aulas começam em setembro, então praticamente é começo de ano agora pra gente) cheeeeeeeeiiiooo de lágrimas, sustos e surpresas.
Relendo agora, vejo que eu tinha razão, o primeiro é sempre o mais difícil.
Quando fomos ao Brasil ano passado, falávamos assim: "ah, porque lá em Norwich,..." esse ano a frase mudou para: "ah, porque lá em casa...."
Agora podemos dizer que nos sentimos todos em casa.
Já falei mil vezes o quanto a vida de expatriado é intensa. Tudo lindo, tudo difícil, tudo agora junto ao mesmo tempo. Mas é tãaaaaaao divertido!!!
Essa semana Lorenzo disse: "eu não quero morar mais nessa casa, eu já conheço tudo que tem nela" (corta para daqui a 20 anos eu em frangalhos no aeroporto me despedindo dele), mostrando que entrou bem no esquema da família e aos poucos começa a carregar a própria mochilinha.
A certeza é que estamos onde queríamos estar. Nos orgulhamos por de mais da conta de decidir, escolher e acolher o caminho que se apresenta pra nós.
Agora que começamos a falar na volta, sempre comentamos: esses anos aqui não serão na nossa vida uma lembrança. Eles serão a ferramenta que nos fez correr atrás de outros sonhos, de abrir outros caminhos, de encarar mais um monte de coisas (e de mundos) que está aí na frente.
Realizar e construir.
Tudo se resume a isso afinal de contas.
cheers.
domingo, 2 de setembro de 2012
Jet Lag
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| No aeroporto de Londres antes de tudo começar. |
"O Jet lag (descompensação horária) é uma fadiga de viagem, é uma condição fisiológica que é uma consequência de alterações no ritmo circadiano. As alterações podem provocar uma mudança do trabalho doorganismo. O organismo de uma pessoa está acostumado com o tempo de rotação da Terra e quando uma pessoa viaja em um avião mudando de meridiano, pode ocorrer que o dia passe mais rápido e provoque o Jet lag. Acredita-se que a condição é o resultado do rompimento do ciclo " luz / escuridão ". Pode ser provocado por fatores ambientais.
O Jet Lag ocorre como consequência de viagem através de vários fusos horários, o que se tornou comum com as viagens a jato e daí o nome em Inglês (Jet, jato; Lag, diferença de horário). Desta maneira após uma viagem passando por vários fusos horários a pessoa se sente como se o relógio interno dela (relógio biológico) não estivesse no mesmo do horário do local.
Desta maneira logo após uma viagem cruzando fusos horários há um distúrbio do sono pois a pessoa quer dormir no horário que estava habituada e não no horário local - isto denomina-se Jet Lag. Este é um tipo deInsônia pois não consegue dormir no horário que deveria."
As crianças A D O R A M um jet lag!!!!
Os pais, não.
Fazem 4 dias que voltamos, e a turma aqui segue funcionando em horário brasileiro.
Lorenzo por incrível que pareça, está no lado bom da coisa, vai dormir no horário inglês (21hs) e acorda com muito custo lá pelas 09:30 ou 10hs, coisa mais do que rara pra ele!!
Alice por sua vez.....
Até dorme no horário inglês, pra duas horas depois acordar pronta pra ir visitar qualquer pessoa ou passear no shopping, como fazíamos em Porto Alegre. Somado a mudança de fuso horário está:
1. ela está com o primeiro dente saindo. A gengiva está com aquele rasgo enorme mas só dá pra ver a pontinha minúscula do dente
2. ela acostumou a dormir comigo no Brasil..... quase em cima de mim pra ser honesta
Na quarta feira quando chegamos e ela dormiu bem, de exaustão provavelmente. Na quinta dormiu as 4 da manha, na sexta as 2 e ontem a 1... sinto um padrão "luz no fim do túnel" , mas tá f....
Como ficamos todos muito cansados, dormimos até o sono acabar, ou o Lorenzo acordar. Ontem eu e ela ficamos na cama até o meio dia, não ajudando em nada a nova rotina, eu sei.
Hoje, domingão, acordei disposta a parar com essa porra função. Despertei o Lorenzo a muuuuuuito custo as 08:20 pra voltar as aulas de karatê, e ela entrou no embalo.
Na quarta feira as aula dele começam e a vida começa a entrar nos eixos de novo.
Ah, e o frio começa aos poucos a chegar. As noites estão sendo bem refrescantes, e os dias com máximas de 14 graus.
"the winter is coming"
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
* Lá e de volta outra vez
Cá estou eu.
Estamos, na verdade.
Dia 08 de agosto a família de dividiu em dois e partiu cada um para um canto do mundo. Ber para o Japão eu e as crias para o Brasil.
Vou te dizer: viajar com bebê e criança de 5 anos S O Z I N H A é só para os fortes. A jornada foi Norwich-Londres nós 4, depois Londres - São Paulo e São Paulo- Porto Alegre. No meio disso: Lorenzo vomitando por 11 horas, bagagens demoradas, perda da conexão em SP e 27 horas depois, Porto Alegre.
Chegando é só festa. Churrasco, colo de mãe/avó, fofocas e muito amor.
Chegar em Porto Alegre é sempre a mesma sensação: parece que faz 1 semana que fui embora.
Vimos a família, pescamos, Lo se embananou com o português nos primeiros dias, mas em 1 semana tava firme de novo. Alice conheceu o calor e ficou toda cheia de brotoejas em pleno inverno (oi?) gaúcho.
Ficamos com muita saudade do Bernardo que se divertiu e desbravou outros lugares, para dia 29 nos encontrarmos de novo e planejar as próximas aventuras.
PS: a volta foi mais tranquila, tirando o fato de a TAM ter extraviado o carrinho de Alice e até agora não ter aparecido
* quem não pegou a referência do título, digita aí: O senhor dos anéis...
| Bernardo jura que foi ele mesmo que tirou essa foto. |
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Tetê pra todo bebê!
Hoje é o dia mundial da amamentação.
Poucas bandeiras eu levantei tanto na minha vida como essa.
Lorenzo nasceu, e depois de uns 50 minutos mamou pela primeira vez, continuando por 2 anos e 10 meses.
Doei leite por uns 6 meses, mais ou menos uns 2 litros por semana.
EU ordenhava, o banco de leite da PUC buscava, e depois me ligavam pra dizer que o leite alimentou um número X de recém nascidos, um número X de prematuros... e meu coração e meu peito enchiam mais ainda.
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| Lorenzo com 8 meses |
Já falei aqui algumas vezes sobre isso. Sim, foi cansativo, sim, foi um tempão, sim eu ouvia horrores dos outros. Não, eu não sou louca, não, eu não acho que ele ficou sequelado (!), não eu não me arrependo e outros tantos sim e não.
Alice nasceu e mamou. Assim mesmo. Faz força, choro de nenê, choro de mamãe, colo, declarações de amor, teta. Mamou por uma hora assim que nasceu como se fizesse isso a vida toda. E não, não sei se vou amamentar pelo mesmo tempo. Talvez.
Por essas bandas, pouquíssimas pessoas amamentam. As que fazem, fazem dentro de casa, ou em lugares reservados, nunquinha se vê na rua um nenê mamando, fora Alice.
Eu tento ser discreta. Tenho umas blusas que dão uma disfarçada, tento dentro do possível programar a mamada para um lugar sossegado, mas a guria aqui A D O R A mamar no ônibus! Até porque, digamos que meus recém nascidos demoram alguns meses para ter a cabeça do mesmo tamanho da fonte alimentícia. Agora que Alice está virada numa fofoqueira de primeira, mama e solta o peito, mama e solta o peito está um pouco mais difícil de manter a coisa privada. (ai, preciso admitir, voltando de Londres no trem numa dessas fofocadas da Alice jorrou leite no computador do cara que estava do outro lado do corredor, fiz aquela cara de paisagem e deixei ele achando que tinha goteira dentro do trem :)
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| Alice com 1 mês em Oxford |
Sempre amamentei em livre demanda, sempre exclusivo por 6 meses. Não porque recomenda a OMS, mas porque nunca achei que poderia fazer diferente.
Ver as dobras dos meus filhos com somente o leite da mamãe foi e continua sendo uma delícia.
Sempre falo que não tive sorte, tive saco.
Amamentar é uma delícia, mas é cansativo pra caramba, pode ser meio anti-social para as que morrem de vergonha, pode ser broxante para as que não tem apoio do marido, e pode ser mais um monte de coisa, mas SEMPRE, SEMPRE é o melhor para os pequenos, e não me venha com a história de que "a fórmula foi feita especificamente para isso" porque o leite é que foi.
Menos pudor, menos mimi e mais leite mulherada.
domingo, 29 de julho de 2012
Um torcedor a menos para o Brasil
Eu sou a "maníaca da olimpíada", A D O R O. Tento ver o máximo possível e tudo que não assisto de televisão em 4 anos, compenso nesses 16 dias, porque quero saber tudo o que aconteceu. Sou do tipo que chora quando o cara ganha, chora quando o cara cai e chora quando o cara cai levanta e depois perde. Enquanto escrevo estou com 3 canais abertos da BBC aqui no computador.
Gosto, entendeu?
Hoje de manhã comecei a marota na frente do sofá, e percebo que por motivos óbvios, eles cobrem os jogos do time do Reino Unido. Começo um busca desenfreada por onde assistir e acompanhar o Brasil ao que o Lorenzo todo calmo me diz: "mãe, tu não precisa achar os jogos do Brasil, o nosso time ta aí, passando na TV olha... " e lá esta a Union Jack voando aos quatro ventos.
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| "oi querida, eu sou o time certo!" |
Argumentei, que podemos torcer para os dois países já que temos vínculo com os dois (tá, não usei a palavra vínculo com ele), mas conversa vai conversa vem ele disse que quando os dois times jogarem um contra o outro ele vai torcer para o Reino Unido.
Uns 2 dias atrás eu e o Ber conversávamos sobre o quanto acreditamos que o inglês já é a língua "confortável" para ele.
Semana passada pela primeira vez ele foi meu tradutor em um loja. Queria comprar uma redinha de pesca e a palavra me fugiu da mente. Perguntei se ele sabia como era, respondeu que não, mas na hora que eu estava explicando para o vendedor em mil palavras o que queria, ele falou o nome do negócio.
É super interessante como as vezes as duas línguas andam paralelas na cabeça dele. Se perguntamos como é determinada palavra em inglês, ele diz que não sabe, mas se tem que falar, ele sabe com certeza!
| inglesinho mais lindo |
Enfim, tudo isso pra dizer que o clima olímpico está muito legal. Tudo esta fervendo e respirando olimpíadas, mas segundo os entendidos do assunto, assim que ela se for Londres sentirá na pele uma diminuição no turismo graças aos preços lá nas alturas de tudo.
Veremos.
Mas deixa eu ir que minha nova modalidade olímpica me espera: arco e flecha! A D O R E I .
terça-feira, 24 de julho de 2012
Sabe gringo indo a praia?
O verão chegou.
Com um pequeno atraso de 3 meses, nada inglês da parte dele.
Estamos com dia lindo e céu azul desde domingo, com temperaturas chegando a inacreditáveis 27 graus hoje.
Ontem aproveitamos e fomos a praia.
Pegamos o trem e em 45 minutos estávamos lá. Quase como ir até o centro da cidade e custando praticamente o mesmo valor.
Morando na Europa a 2 anos, entendemos perfeitamente como os ingleses/alemães chegam no Rio de Janeiro da vida e simplesmente se apaixonam pelo Brasil!
As praias aqui são lindas, mas é um jeito completamente diferente de se ir a praia.
Pra começar a água é tão gelada, mas tão gelada que o Bernardo resumiu bem : a gente acostuma depois que perde a sensibilidade na pele!
| Com calor e felizes! |
A maioria das praia tem pedras. P E D R A S do tamanho do pulso da gente no mínimo, tornando tudo muito bonito e um tantinho dolorido.
A maioria das praias (todas que visitamos na verdade) possuem todo um complexo de entretenimento na beira do mar. Tipo um calçadão gigante com parque infantil, mini golfe, brinquedos infláveis... porque vamos combinar, considerando que no verão todo tenha sei lá, uns 4 dias de temperaturas acima de 20 graus, o povo precisa ter outra desculpa pra ir a praia que não seja o mar certo?
Fizemos a maior farofada de todos os tempos: chegamos e já fomos direto no super mercado comprar:
1. bebidas geladas
2. frango assado (sim, verdade)
3. salada
4. sorvete haagen dazs de sobremesa
E fomos para a praia.
Cheguei meio envergonhada de tamanha farofada, mas já "desenvergonhei" quando vi uma família com fogareiro elétrico fazendo salsichas!!! juro por deus!
Lorenzo curtiu muito, arremessou um milhão de pedras, encarou o mar gelado (nós também!!!) e remou um caiaque junto comigo num laguinho a beira mar.
Alice começou meio desconfiada de tudo, mas acabou curtindo o pé da areia gelada.
Bernardo tomou uma queimadura master porque segundo ele "faz tão pouco sol que nem posso passar protetor pra aproveitar o máximo possível"
Antes de ir embora, uma sorvete e uma cerveja no píer olhando aquela imensidão azul, já que pais também são gente né?
Como não poderia deixar de ser, momento "ainda morro disso", chegamos exaustos na estação de trem, trem passaria em 20 minutos. Sentamos e.. e... ao que tudo indica Alice adora fazer cocôs explosivos em trens ou perto deles. Roupa (nova) toooooda suja, e agora? corre a Daniela no super mercado ao lado pra trocar a criatura. Vou esbaforida segurando a guria daquele jeito sabe? com as mãos pra frente do corpo para não sujar minha blusa BRANCA com todo aquele cocô, passo pela porta, toca o alarme do super. Finjo que não é comigo e sigo minha missão de trocar ela correndo e voltar para não perder o trem.
Estou lá super empenhada, tiro a roupa e escuto: mãaaaae, mãaaaaaaaeeeeee. Abro a porta do trocador, Lorenzo e Bernardo esbaforidos que o trem tinha chego na estação e outro só depois de 1 hora.
Pego a fralda suja, arremesso no lixo, passo um lenço umidecido de qualquer jeito, coloco uma fralda mais de qualquer jeito ainda e entrego a menina quase limpa para o papai enquanto guardava o resto.
Cena: Bernardo correndo com uma criança pela mão e com outra pelada no colo exalando aquele perfume doce de cocô de bebê amamentado e eu correndo atrás quase sendo presa porque de novo apitei na porta enquanto saía. No meio do caminho Ber grita: e o carrinho? tu esqueceu? ao que respondo: não, tu esqueceu, porque ficou com vocês na estação....
Sorte que estamos na Inglaterra e ele estava lá onde eles deixaram.
Chegamos na estação (lembrando: criança, criança pelada, pai vermelho-pimentão e mãe com mãos cheias de cocô) e o trem, claro, tinha partido.
Mas não se preocupem, não tivemos que esperar uma hora, porque obviamente aquele trem que tinha chego antes não era o nosso. O nosso chegou pontualmente na hora que deveria, uns 10 minutos depois, dando tempo para a criança ser vestida e a mãe lavar as mãos.
Que tranquilidade e planejamento que nada, nós queremos é diversão!
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Quem nunca?
Maternidade sua linda. Realização suprema de todas as mulheres. Nos deixa felizes, completas e lindas.
Me irrita por demais mulheres que simplesmente não conseguem admitir que ser mãe não é toda essa maravilha o tempo todo. Sempre digo, que ter filhos é muito melhor do que eu achava e também muito pior. Ahhhhhhhhhhhh que hoorrrrrrooooooorrrrr, nãoooooo diz isso!!!! mas creeeeeedddddoooo, dizem as mães que nunca:
1. gritaram com seus filhos mais do que deviam e depois se acabaram em remorso (ou não)
2. passaram uma noite em claro (porque os filhos "dazamiga" sempre dormem a noite toda né não?)
3. pensam em fazer outra coisa além de cuidar dos pequeninos.
Já falei que acho mentira uma enganação para as que não tem filhos esse papinho de "tudo é lindo daqui de onde vejo", venham sem olhar para os lados. (tocando ao fundo a marcha do Darth Vader sabe?)
Cheguei a seguinte conclusão: tudo o que se fala sobre a maternidade é verdade: que tu nunca mais vai dormir do mesmo jeito, que não existe amor maior, que as grávidas tem sim hemorróidas, que ver teu recém nascido pelo primeira vez é sem dúvida a maior emoção que existe e por aí vai. Maternidade é aquela coisa que SEMPRE tem alguém pra contar, falar, dar palpite e conselho, tudo que é dito é exagerado, intenso e explosivo, igual cocô de bebê.
Nós, diferentes das lindas lá de cima, ficamos descabeladas, com roupas cheias de vômito, olheiras de panda e contamos no blog pra todo mundo como forma de dividir a bronca, assim como compartilhamos com o mundo o dia que a bebê da família se mata de gargalhar só porque o ídolo irmão mais velho estava caminhando e cantando quando passava por ela. E são esses momentos que fazem toda a bagunça valer a pena sim.
É ou não?
Abaixo a mãe perfeita gente, sejamos todas loucas, gritonas e felizes. Principalmente felizes.terça-feira, 17 de julho de 2012
A difícil arte de se enquadrar.
| lindão e corajoso. |
Já falei aqui inúmeras vezes aqui sobre a escola do Lorenzo. O quanto eu gosto, o quanto ele gosta, e o quanto foi importante para nossa adaptação ele frequentar esse ambiente social.
Nos últimos tempos percebemos que ele tem reagido a escola de maneiras diferentes.
Apesar de adorar, o esforço necessário para estar ali e principalmente de se enquadrar naquele esquema, tem deixado nosso pequeno cansado. Muito cansado.
Já expressei minha opinião sobre a alfabetização precoce. Não concordo, não gosto, acho desnecessária
e egoísta, minha veia de aluna Waldorf fala mais alto e não me sinto confortável em ter meu filho nessa situação. Ele começou a ler e escrever com 4 anos. Agora com 5 mostra facilidade, mas não tem a menor paciência para sentar, pegar papel e lápis e começar a escrever.
Na semana passada recebemos o boletim dele (!) e um parecer descritivo. A professora falou da facilidade de comunicação, do quanto social ele é, como adora e é bom em esportes e também que começa a escrever e logo foca o interesse em outra coisa não terminando a sentença.
Sei a maioria das escolas começa alfabetizar cedo, que o mundo está cada vez mais competitivo e bla bla bla, mas vamos combinar, se o mundo está assim, deixa as crianças serem crianças o maior tempo possível! se preocupar em ser bom com 5 anos de idade é o cúmulo meu povo. E o Lorenzo se preocupa.
O dia que não conseguiu pegar uma "key word" nova (uma palavra que consegue ler com fluência) ficou super chateado. Quando falam pra ele que precisa fazer um "hard work" para atingir determinada etapa ele fala e repete algumas vezes...
Acho sim muito importante que ele seja desafiado, que exijam atenção e comportamento adequado, mas sinto que tudo isso é de mais para ele.
Os ingleses funcionam naquele sistema de excelência acima de qualquer coisa. Uma sala com 100 crianças em silêncio absoluto, um aluno sentando correndo só com o olhar da professora e um "esporro" na frente dos colegas pode ser educativo, mas tenho dúvidas se respeita o ritmo natural de cada criança
Percebo que o Lorenzo se enquadra em tudo isso. Quando chega na escola, se nós falamos um pouco mais alto (abrasileirando o ambiente) ele mesmo nos chama a atenção. Tem pavor de alguém olhar pra ele por um pouco mais de tempo, pois logo acha que vão rir dele. Leu e escreveu em uma língua diferente rápido e com desenvoltura, mas tudo isso tem um preço.
Quando chega em casa está extravasando tudo aquilo que na escola se contém para não fazer. Quer gritar, correr, testar limites e mais que tudo, saber que mesmo não sendo aquele ideal ainda assim é amado e respeitado.
Nos finais de semana percebemos ele muito mais leve e relaxado. Brinca mais tranquilo, cria brincadeiras fora do padrão e fica mais feliz.
Para nós todo esse enquadramento em uma cultura diferente é difícil, mas como adultos conseguimos lidar com tudo e mesmo nos frustando vez ou outra saímos (quase) inteiros. Para ele, que é cobrado comportamentos e posicionamentos que não tem a maturidade (nem a vontade) de fazer, a coisa estoura em outro lado.
As férias de verão começam nessa sexta. Programei uma pequena "festinha interna" para ele, com direito a cartaz de Boas Férias , negrinho e um brinquedinho para brincar na rua (se o verão resolver aparecer). Diferente do Brasil onde a criançada tem quase 3 meses de folga, por aqui são 6 semanas. Temos muitas coisas divertidas programadas e muitas horas de ócio, filmes, futebol e video game nos esperando. Temos casa de vó (e mãe!!!) esperando, cheias de balas, desenhos na tv e colo. E todos voltaremos revigorados para mais um ano letivo.
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