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quinta-feira, 15 de março de 2012

Instintos



 " Impulso natural: instinto de conservação.
Primeiro movimento que dirige o homem e os animais em seu procedimento.
Tendência; aptidão inata.
loc. adv.
Por instinto, por uma espécie de intuição; sem reflexão: ele agiu por instinto".

Eu não sou dada a tragédias e notícias chocantes. Nem um pouco.
Principalmente depois que o Lorenzo nasceu, notícias ruins eu passo longe. Não leio, não quero saber e fico na alienação total mesmo. Terremoto, tsunami, crianças abandonadas.. nada disso.
E qual não é minha surpresa  quando nos últimos dias me pego pensando: e se eu morrer heim? não só um pensamento, mas todo um desenrolar de fatos e consequencias. Como o Bernardo iria se virar? será que largaria o Phd? será que ia casar logo? me peguei pensando se não seria melhor dar pelo menos uma mamadeira pra Alice para caso eu morresse ela não estranhasse tanto!!
Cheguei ao ponto de ficar com lágrimas nos olhos pensando o que seria pior: eu não ve-los nunca mais, ou eles crescerem sem mãe....
Dias depois, foi a vez do Bernardo. Como eu faria sozinha aqui? e fiz a lista: avisar a Universidade do falecimento, ligar pra Capes, pro banco... essas coisas práticas.
Antes que vocês pensem em me internar me mandar para o psiquiatra, deixem-me  tranquiliza-los, já passeio por isso antes.
Quando o Lorenzo nasceu eu simplesmente não conseguia dirigir. Ele chegou e  o carro automaticamente se tornou um objeto assassino. Eu tinha medo de bater, de nao lembrar como dirigia, de não conseguir estacionar, de freiar e ele cair da cedeirinha... 
Quando voltei a dirigir, ia com ele no carro montando na minha cabeça o cenário de como eu reagiria a um assalto caso ele estivesse ali na cadeirinha. O que diria para o assaltante, como tiraria o meu cinto, como pularia para o banco de traz caso ele não me deixasse tirar o bebê... essas loucuras.
Só posso associar esse absurdo aos hormônios pós parto, e ao velho instinto que manda em todos nós. É uma maneira de se preservar, de proteger aquilo que é mais importante para nós. É a maneira de sobreviver.
E é muito louco! quando percebo estou pensando essas coisas com o maior senso prático, resolvendo problemas imaginários como ninguém. 


Resta esperar passar e pegar umas dicas de toda essa precaução que também mal não faz né?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

As vezes primeiro mundo, as vezes....



Mulher é expulsa de pub londrino por amamentar filha em público


A terapeuta britânica Lauren Beaman, de 25 anos foi expulsa do pub londrino King William IV, no bairro de Hampstead, por amamentar em público sua filha de sete meses, e declarou que quer processar o estabelecimento.

Segundo explicou ao jornal londrino "Evening Standard", alguns clientes a assediaram enquanto amamentava seu bebê e outros a aconselhavam que amamentasse no banheiro.

"Vocês gostariam de jantar em um banheiro?", replicou Lauren, a dona do local que a obrigou a abandonar o pub junto com uma amiga que está grávida.

Pela lei de igualdade, em vigor desde o ano passado, um estabelecimento não pode proibir uma mãe de amamentar seu filho em público, mas o proprietário de um local tem direito legal de expulsar qualquer pessoa do local.

De acordo com a dona do pub, alguns clientes se queixaram que a mãe estava mostrando o peito, enquanto outros expressaram seu temor que a moça fosse trocar as fraldas da criança ali mesmo.

A mãe cogita a possibilidade de protestar junto com outras mulheres grávidas para realizar uma "amamentação coletiva".

Seria uma ação similar ao "beijo coletivo" criado por um grupo de homossexuais que protestaram recentemente no bairro londrino Soho pela expulsão de dois homens que tinham se beijado em público.


http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2011/04/27/mulher-e-expulsa-de-pub-londrino-por-amamentar-filha-em-publico.jhtm


PS: imagina eu amamentando o Lorenzo com 2 anos e 8 meses.... não iam deixar nem entrar na Inglaterra!! Visto negado. Motivo: amamentou por tempo de mais.
SOCORRO.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

4 anos.



Então hoje fazemos 4 anos.
Digo nós, porque depois do que o Lorenzo nasceu, a gente também nasceu. Nascemos como pais, como família, e mais como um monte de coisas...
Agora com 4 anos, ele é um garoto (como ele mesmo gosta de dizer).
Nos surpreende todos os dias, cada momento inventando uma coisa nova.
Por esses dias, parece que a minha ficha simplesmente caiu. O Lorenzo é um meninão. Quando precisa conversar alguma coisa, me chama no canto pra falar "em particular".
Hoje mesmo, recebi um elogio de uma amiga, que disse como ele é carinhoso e atencioso com os pequenos, e muito, muito gentil.
Lorenzo com 4 anos é um menino ligado no 220!! não para de pular, dançar, cantar. Estraga os tênis subindo em todos os lugares, e está sempre sujo, pois vive inventando manobras e coreografias.
Ele também é um companheiro de aventuras.
Topa viagens, passeios, programas, e se adapta mesmo quando os pais resolvem leva-lo pra milhares de quilômetros de distância.
Lorenzo adora a neve.
E brincar na areia.
E Pringles
E água
E me dar flores
E acha seu pai o mais poderoso e forte do mundo.
Ele enche a nossa vida de barulho, de bagunça, de brinquedos espalhados para todo lado.
Mas enche a nossa alma em todos os segundos.

Feliz aniversário meu menino lindo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cri cri

Alguns dias atrás, estávamos eu e o Ber jantando, tomando um vinho e conversando sobre o Lorenzo. Educação, o que fazer, o que mudar, como agir... e eu tive uma epifania muito forte: mora em mim uma bicho grilo impressionante!!!!
Talvez o vinho tenha ajudado (espanhol, maravilhoso) mas desde então fiquei pensando nisso.
Eu só ando de pés descalços, ainda escuto "vou ficaaaaaar aaaaarrrr ficar com certeza maluco beleza...", meu filme favorito é Hair, minha profissão é tratar com música, "pelamordedeus!!" Depois,  sofriiiii por ter feito cesárea, amamentei por quase 3 anos, usei sling quando ninguém sabia o que era,  e volta e meia tenho umas idéias diferentes que o Bernardo trata de "curar"
E é engraçado que pensando nisso, cheguei a um blog muito bom (blogmamiferas.com.br) que discute muito sobre tudo isso, ser uma mãe "cri cri" em tempos de "mães modernas".

(senta que a discussão é longa)

A pergunta agora é: de onde vem isso?
Curiosamente nesse blog ai de cima, tem uma escritora suuuuper alternativa, que eu adorei. Li todas as os textos dela, até que veio: "o que é ser uma mãe mamífera, o que é ser uma mãe waldorf?" AHA!
Será possível que a vivência que eu tive lááááááááááá nos anos 80, em uma pré escola alternativa, com rios, chás da horta, e girinos marcou tão fortemente a pessoa que eu seria hoje?
Provavelmente sim. (aguentem essa pai e mãe: a culpa  é de vocês, haha)
Como é legal perceber que tudo o que eu vivi mesmo sendo tão pequena, fez essa diferença toda na minha vida, e que agora, nesse momento da nossa família, voltou tão forte. E outra coisa: como essa vida de interior/mãe em casa/ confinamento obrigatório em famíla, vai fazer diferença na vida do Lorenzo laaaaaaaaaaaanos nos anos 2030 quando ele for um adulto/pai!
E o mais legal de tudo tudo mesmo: assim como  me sinto extremamente confortável com uma trança feita de qualquer jeito, gosto de óculos gigantes da playboy. Assim como dou sem neuras pro Lo um pacote de salgadinho, as vezes me pego pensando em porque desmamei ele naquele hora... afinal de contas "eu prefiro sssssseeeeeeerrrrr essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tuuuuuuuuddoooo"