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quarta-feira, 18 de abril de 2012

A tranquila vida do interior....

Norwich é uma cidade do interior. É a capital de Norfolk, nosso condado, mas ainda assim é cidade do interior.
A poucos metros da nossa casa, tem um rio lindo, onde o por do sol brinca com as cores, onde gostamos de ir jogar pedrinhas na água e ver as ovelhas na outra margem.
Lorenzo brinca na rua com os amigos do condomínio, caça insetos, e todos os dias dormimos em um silêncio que chega a doer os ouvidos. ADORO nossa cidade, com isso mente, agora posso falar?
Morei 25 anos em cidades grandes. Trânsito infernal, cidades alagadas com uma chuva de nada,  gente por toda parte e poluição visual. Mas que saudade de respirar um ar poluído...
Interior é perfeito para crianças. A segurança, a facilidade o sossego. Mas vamos combinar, não ter onde ir depois das 17hs da tarde é de mais! Tudo fecha. No inverno ainda vai, já que 17hs a lua já brilha, agora no verão, onde o sol está a todo vapor, ver a cidade fantasma nesse horário realmente é uma tristeza. Falando em inverno: o que fazer quando 4 meses por ano é frio de rachar? sair, visitar museus, divertir as crianças em lugares com brinquedos indoor? não meus queridos, aqui não tem nada disso! tem um museu sim, mas vale 1 visita só. Nos centro de compra, não tem aqueles complexos de fliperama e tudo mais que vemos no Brasil, no máximo uma máquina de pegar bichos de pelúcia.

Ta, tudo bem, vou ser honesta. 90% do tempo adoro morar no interior. Mas estamos tendo uma primavera cretina, com temperaturas geladas, um vento infernal e uns 5 graus que não estão convencendo ninguém. Não sei mais pra onde ir nem o que fazer, já que os picnics estão temporariamente fora dos planos.
Resta encher os pulmões de poluição londrina quando estamos por lá e esperar que a Inglaterra perceba que a primavera já chegou.


ps: viram como me fiz de louca e nem comentei a loooonga ausência?? façam a soma: filho de férias, filha descobrindo que é gente e querendo mais atenção e muuuuita chuva.


o jeito deles de dizer: dá pra arrumar alguma coisa pra gente fazer?

sábado, 19 de novembro de 2011

Da arte de peitar suas escolhas....

sim, eu deixei ele sem meia com 8 graus. Porque, vai encarar?


Esse é um assunto que vem permeando minha cabeça já algum tempo. As escolhas que fazemos, as consequencias que elas trazem e como peitar e defender (ou nao) elas todos os dias.
Amamentação prolongada, diminuição da carga horária depois do nascimento do pequeno, fechar a casa e mudar de país deixando tudo pra trás, escolhas, escolhas escolhas....
Aqui nesse meio multi cultural (e multi um monte de coisas) nunca minhas escolhas foram tão
"jogadas" na minha cara.
Aqui, conheci pessoas (e elas me conheceram) como a mãe do Lorenzo, a esposa do Bernardo, a mulher que não trabalha. Já ouvi que mulheres que tem carreira não conseguem manter um casamento, que lugar de mulher é mesmo em casa e por aí vai.... minha escolha de passar esse tempo com eles, é simplesmente desconhecida por essas pessoas. Elas não sabem que comecei a trabalhar muito antes dos meus amigos, que fiz graduação/pós-graduação e muito trabalho no meio disso tudo. Preciso diariamente peitar minha decisão dessas pessoas me conhecerem como dona de casa.
Desfilando com esse barrigão, preciso todos os dias respirar fundo e não sair justificando para os ingleses que não estou tendo filhos as custas do governo. Que não ganhamos nada de benefícios, só "o da dúvida"mesmo.
Mas tudo isso pra introduzir, que o que andamos discutindo por aqui é as escolhas que fazemos todos os dias com relação a educação do Lorenzo.
Ele só não foi amamentado por quase 3 anos, como mamava a hora que queria, contrariando a nova corrente que diz que bebês são "tiranos" mesmo com 20 dias de vida. Ele ganhava colo, tinha pais a disposição dele 24 horas, e muuuuuito mimo. É magro que nem uma vara, mas sigo acreditando que é melhor assim do que entupir ele de bolacha recheada e calorias vazias. E agora o mais importante: em 4 anos anos ele não foi educado para obedecer as pessoas, e sim respeitar as pessoas. Ele é um menino questionador, não para de falar, e a frase "isso é assunto de adulto, não te mete" nunca saiu da nossa boca. Ele conversa com outros adultos o tempo inteiro, quer mostrar, contar, perguntar, indagar e quando não é ouvido, chama atenção mesmo. Nós ensinamos que a opinião dele importa sim, e quando vemos outros adultos desmerecem ou simplesmente ignorarem aquilo que diariamente ensinamos a ele, a corda aperta. E aí entra o "peitar" a coisa. Sim, ele vai te responder se achar que está sendo injustiçado. Sim, ele não para de falar e tudo quer saber porque, porque não aceita ordens injustificadas. Sim, ele se mete na conversa por achar que tem algo a acrescentar, e nós sempre escutamos, por decidimos que mesmo dando trabalho, e as vezes sendo chato, é isso que queremos ensinar para o nosso filho, ele importa.
Aqui como as pessoas tem filhos as pencas (ou pode ser só desculpa mesmo), o ideal é aquela criança "múmia"que brinca sozinha, se vira desde os 2 anos, não chora por nada, (nem sorri por qualquer coisa). Aquela criança que não "atrapalha".
Na escola ele se destaca, e não só por ser o único pretinho da turma, mas também pela criatividade e iniciativa nas coisas.
Esses dias quando fui busca-lo fiquei observando pela janela. A cada 3 palavras da professora ele levantava a mão pra perguntar algo, enquanto os outros ficavam quietos ouvindo. Em 5 minutos, ele levantou a mão 3 vezes. As mães que estavam junto ali, olhavam pra mim e sorriam.... não falaram nada, e nem precisava. Elas podiam achar o que quisessem, mas eu estava orgulhosa do grilo falante. Curioso e interessado.
Ele tem 4 anos, e lê várias palavras, monta quebra cabeças enormes, e nem vou falar das minhas paredes de lego e das suas naves espaciais. Canta o tempo todo, é a criança mais sorridente e afetiva da Inglaterra, provavelmente o melhor irmão mais velho, e advogado da mamãe como ninguém.
Imagino que daqui pra frente, cada vez mais essas escolhas venham nos cobrar seu "aval". Porque ele não é o que se espera aqui, uma "criança fácil". Exige todos os dias aquela "respirada fundo" e a retomada dessas escolhas como sendo a certa para nós.
Porque peitar uma escolha temporária não é nada perto de peitar os "porques" de um menino inteligente de 4 anos.