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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Baby massage


Uma coisa essa vida de Europa tem de bom (ok, tem milhares de coisas, mas preciso de uma frase de impacto, saca?) a estrutura para as crianças.
Quando Alice nasceu a midwife me visitou até ela ter 10 dias aqui em casa. Pesou, mediu e até o teste do pezinho foi feito com ela no meu colo e eu sentada no chão, no conforto do lar. 
Quando ela completou 1 mês foi a vez da health visitor aparecer, pra ver como ela estava, pra ver como eu estava me virando com a turma, uma beleza. 
Nesse dia ela perguntou se eu tinha interesse em aulas de massagens para Alice, que ela poderia começar depois dos 2 meses. Sem brincadeira, na semana que ela completou 2 meses recebi uma correspondência convidando para a aula, com horário e cronograma. E lá fomos nós.
As aulas acontecem nas quintas ferias das 13:30 as 14:30, na escola do Lorenzo, ou seja, aqui do lado. Ao todo serão 4 encontros (termina essa semana) e cada dia trabalhamos uma parte do corpo: pernas/pés, abdomen, peito/braços e costas. Nem preciso dizer que ela ama né?
A sala é super aquecida (quase tenho um chilique) pois os bebês ficam pelados. Cada mãe/casal tem um trocador, um cobertor e um tubo de óleo. A orientadora mostra tudo em uma boneca grandona e nós sovamos nossos pãezinhos. 
É uma delícia. Alice aguenta numa boa uns 30 minutos. Fica lá peladona com as pernas pra cima, recebendo carinho e conversando com os outros bebês. Do nada bate aquela fome doida, então ela mama e normalmente dorme. Dorme não, desmaia.
NO final da aula a orientadora oferece chá, suco e bolachinhas enquanto conversamos sobre algum tema pertinente a criançada, ou só sobre chocolate, como foi a semana passada.
A turma é pequena, são 5 bebês acompanhados ou da mãe ou do casal. É um momento muito legal onde podemos trocar informações, rir do cansaço e tomar um chá.
Aqui, mesmo sendo interior, existe vários grupos espalhados pela cidade. Playgroups, stay and play, baby groups, baby clinic, a maioria organizados por associações governamentais e acompanhados por profissionais de saúde.
É aquela velha história de investir na prevenção. Assim eles conseguem acompanhar de perto se as crianças estão sendo bem cuidadas e se as mães estão bem. É o que eu sempre digo, mãe feliz, filho feliz.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Da (des)educação inglesa

Hoje saímos para nosso café a dois três. Largamos o Lo na escola e fomos rumo a parada de ônibus. Depois de uns 20 minutos esperando já falamos: vai estar lotado, não vai ter onde colocar o carrinho. (nota para quem está chegando agora: por aqui os ônibus tem lugar para carrinho e não tem roleta, facilitando a vida dos pais). Não deu outra. No lugar destinado já tinham dois carrinhos. O cobrador disse para apertarmos no primeiro banco que daria.
E assim foi: eu espremida no primeiro banco com as pernas no corredor pra dar espaço para o carrinho gigante da pequena. Assim que sentei, ela começou a chorar, então peguei ela no colo.
Lá pelas tantas, ônibus lotado, entra um senhor de bengala. Para bem na minha frente e percebo que ele tinha Parkinson! Olho para todo mundo e as pessoas, parecem não perceber e NINGUÉM se da ao trabalho de levantar.
Começa me dar um calor, então calculo como poderia ajudar. Tarefa impossivel, já que precisava colocar Alice gritando no carrinho, levantar, passar por ele, tirar o carrinho no ônibus apinhado de gente e torcer para que ele não caísse. Quando olho pra traz vejo a cena: uma mulher segurando um carrinho na vaga destinada a eles, com o mesmo VAZIO, e sentada, num banco destinado a idosos a filha de uns 4 anos. Não acreditei quando vi. A mulher estava olhando o senhor de bengala, tremendo, imagino que pensando: o que será que ele tem?
Já não bastasse a situação, entra uma mulher com 2 muletas, mal conseguindo se equilibrar e para ao lado do senhor. Olho pra traz na tentativa de que a bonita ficasse com vergonha e tirasse a menina do banco. Nisso, a menina termina de comer e lavanta para entregar a mãe um pacote, ao que a maravilhosa mulher responde: vai, senta, senta logo!!
Juro por Deus, precisei de todos os músculos existentes no meu ser pra não começar a gritar na mesma hora.  Achei que minha cabeça ia explodir, fiquei num vermelhão que deixaria meu pai orgulhoso. (nota: na família temos a expressão PETIPOÁ, termo que meu pai, eu e minha irmã conhecemos bem, que significa aquele vermelhão cheio de bolinhas e manchas que toma conta da cara e do peito naqueles momentos estressantes).
Na mesma hora pensei: ou saio daqui ou começo a gritar com essas pessoas.
Coloco ALice no carrinho, peço licença, sinalizo pro Ber que estava lá no fundo,  vou abrindo caminho no meio da multidão e deixo meu lugar para a mulher das 2 muletas.
Descemos na metade do nosso caminho. Na hora, nem vi onde estávamos, mas eu simplesmente não conseguia ficar ali dentro.
No Brasil, sei que também é difícil de encontrar alguém que ceda o lugar. Difícil, não impossível. Aqui, fora eu e o Bernardo, acho que nunca vi.
Essa educação excessiva dos ingleses, de não se meter na vida de ninguém, é uma beleza, mas também tem dois lados. Eles podem não atropelar ninguém, mas se tem alguém atropelado, eles passam pelo lado e ignoram. (outra nota: alguns anos atrás Norwich teve um acidente de trânsito onde morreram 2 pessoas. A cidade ficou em choque por meses!!!)
Nós brasileiros, intrometidos por natureza, palpitamos na vida dos outros, gostamos de fofoca, e fazemos do Big Brother um dos programas mais vistos da televisão, mas PERCEBEMOS as pessoas. Mesmo que no ônibus não cedam lugar, viram a cara para fingir que não estão vendo, mas estão vendo. Aqui não. Eles olham, mas não enxergam MESMO.
Desci do ônibus tão furiosa, que as pessoas na rua deviam pensar: não entendo nada do que essa louca está falando, mas que o marido está prestes a apanhar, isso está.
O pior, é que assim que descemos e apontei pro Ber a tal mulher ele disse: a nossa vizinha???? kkkkk daí percebi que era uma vizinha nossa que se mudou a pouco tempo aqui pro lado.
Mas como o mundo gira e gira e gira... na volta do passeio, entrei no ônibus com uma outra mulher e seu carrinho. Paramos lado a lado na vaga. Eu, pra ficar de olho na pequena, fiquei entre os carrinhos de costas para ela. Lá pelas tantas, a menina no carrinho, com pouco mais de 1 ano, começa a mexer no meu vestido. Olho pra ver, e a mulher pede desculpas. Digo que tudo bem e sorrio. Um minuto depois, ela levanta um pouco o vestido, e a mulher pede mil desculpas. Não dando por satisfeita, a menina levanta meu vestido e coloca a cabeça embaixo. hahahahha. Viro assustada, e a mulher não sabe se se joga pela janela, se joga a filha, ou se finge desmaio para não passar vergonha. Me olha com uma cara de suplício e pede um trilhão de desculpas. Digo que não tem problema, que eu estava de calça e bla bla bla, mas como boa inglesa ela simplesmente não sabe como lidar com aquela situação tão invasiva.
Pra não matar a mulher do coração, saí do meu lugar e mantive minha retaguarda longe da menina, que devia estar achando muito interessante um "derrière" brasileiro nessa terra de gente quadrada. Em todos os sentidos.