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terça-feira, 3 de abril de 2012

O pássaro colorido



Na hora de dormir sempre contei histórias para o Lorenzo.
Esses tempos ele me viu fazendo massagem na Alice depois do banho, e a rotina mudou, agora quer massagem com óleo antes do sono. E história.
Comecei contando a "história do Lorenzo" que começa quando eu e o Bernardo começamos a namorar e termina nos dias de hoje...
Depois de alguns dias assim,ele pediu a  minha história, a história do pai, a história do Lucas e da Didi... (e ficou indignado que era muito curta.... hahahha falei pra ele que eles já estão mudando isso...)
Depois de tempos nessas, inventei outra. Do pássaro colorido. Começa com um pássaro lindo, colorido voando pela cidade e vai passando pelos lugares onde estivemos no dia... escola, parque, essas coisas. A história sempre termina com o pássaro voltando pra casa, onde com uma mágica muito poderosa, se transforma em brilho e volta para dentro do coração do menino que está dormindo na sua cama.
Ontem, o pássaro visitou Porto Alegre, e ele pela primeira vez foi indicando o caminho... o pássaro passou pela Talentho's  onde "uma moça falava no computador com o neto que morava em Norwich..." , onde " um velhinho estava dando aula de teclado" e uma "didi tocava piano". O pássaro passou pelo parcão, olhou pela janela da Bisa que estava fazendo batata frita e visitou o primo brincando na escola.
Quando o pássaro começou a voltar pra casa, se transformou e entrou no coração do menino ele sorriu e disse: "eu já sabia a muito tempo que o menino era eu". 
Foi muito legal o jeito que ele encontrou de matar a saudade e dar uma espiada nas coisas que as pessoas estão fazendo. A ideia de voar sobre Porto Alegre foi minha, mas cada "personagem" que apareceu partiu dele.
Morro de medo, de verdade, que tudo que ele leve dessa história de mudança seja a despedida. Que a parte boa, da experiência, do bilinguismo, dos castelos, sejam esquecidos perto da "parte ruim".

Mas quando vejo a maneira que ele lida com tudo isso, acredito que o pássaro colorido vai dar conta. 
                                                 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Instintos



 " Impulso natural: instinto de conservação.
Primeiro movimento que dirige o homem e os animais em seu procedimento.
Tendência; aptidão inata.
loc. adv.
Por instinto, por uma espécie de intuição; sem reflexão: ele agiu por instinto".

Eu não sou dada a tragédias e notícias chocantes. Nem um pouco.
Principalmente depois que o Lorenzo nasceu, notícias ruins eu passo longe. Não leio, não quero saber e fico na alienação total mesmo. Terremoto, tsunami, crianças abandonadas.. nada disso.
E qual não é minha surpresa  quando nos últimos dias me pego pensando: e se eu morrer heim? não só um pensamento, mas todo um desenrolar de fatos e consequencias. Como o Bernardo iria se virar? será que largaria o Phd? será que ia casar logo? me peguei pensando se não seria melhor dar pelo menos uma mamadeira pra Alice para caso eu morresse ela não estranhasse tanto!!
Cheguei ao ponto de ficar com lágrimas nos olhos pensando o que seria pior: eu não ve-los nunca mais, ou eles crescerem sem mãe....
Dias depois, foi a vez do Bernardo. Como eu faria sozinha aqui? e fiz a lista: avisar a Universidade do falecimento, ligar pra Capes, pro banco... essas coisas práticas.
Antes que vocês pensem em me internar me mandar para o psiquiatra, deixem-me  tranquiliza-los, já passeio por isso antes.
Quando o Lorenzo nasceu eu simplesmente não conseguia dirigir. Ele chegou e  o carro automaticamente se tornou um objeto assassino. Eu tinha medo de bater, de nao lembrar como dirigia, de não conseguir estacionar, de freiar e ele cair da cedeirinha... 
Quando voltei a dirigir, ia com ele no carro montando na minha cabeça o cenário de como eu reagiria a um assalto caso ele estivesse ali na cadeirinha. O que diria para o assaltante, como tiraria o meu cinto, como pularia para o banco de traz caso ele não me deixasse tirar o bebê... essas loucuras.
Só posso associar esse absurdo aos hormônios pós parto, e ao velho instinto que manda em todos nós. É uma maneira de se preservar, de proteger aquilo que é mais importante para nós. É a maneira de sobreviver.
E é muito louco! quando percebo estou pensando essas coisas com o maior senso prático, resolvendo problemas imaginários como ninguém. 


Resta esperar passar e pegar umas dicas de toda essa precaução que também mal não faz né?

sábado, 28 de maio de 2011

Existe luz no fim dos 3 anos....

Esses dias agora, depois de colocar o Lorenzo na cama, fazer chamego, contar hsitória, beijinho, boa noite e até amanha, e ouvir ele caindo no sono lá do nosso quarto, eu e o Ber ficamos conversando sobre como é bom ter um menino de 4 anos em casa.
Bebês são lindos, fofinhos, engraçados e tudo mais, mas não venha me dizer que eles são fáceis...
A 3 anos atras a rotina do sono era assim: banho, mama, dorme mamando, coloca na cama, sai do quarto, choro, mama, coloca na cama em camera lenta, sai de costas do quarto, pisa no brinquedo barulhento, choro, embala pra la e pra ca cantando, vai parando de cantar como se fosse final de música, coloca na cama e deixa o braço embaixo pra ele não sentir, vai tirando aos poucos, sai do quarto....e por ai vai, deu pra pegar o espírito?
Agora, parece que ele fez 4 anos e decidiu que era grande. Dorme as 19:45 e vai até as 7 (hoje até as 8), levanta, tira o pijama, faz xixi, lava a mão (com sabão e tudo,kkk), e se tem roupa a mão já começa a se vestir.
Esses dias ele estava no banho e eu cortando o cabelo do Ber (sim, ficou bom), tirei ele da banheira, que se secou sozinho, colocou a cueca, e só não colocou a roupa porque se revoltou que queria uma "roupa macia sem botão" e não calça jeans e a polo que eu tinha separado (4 anos é mais fácil, mas ainda é criança né!!)
ADORO ver ele lendo sozinho no canto dele. Pega as revistinhas da Mônica ou um livro qualquer, senta e fica numa boa contando a história pra ele mesmo. Agora conseguimos cada um ficar lendo o seu livro numa boa, naquele silêncio que parecia inacreditável até algum tempo atrás.
É muito lindo perceber essas mudanças acontecendo com ele, e com a gente também, porque ter uma criança "grande" em casa muda completamente a nossa função como pais, onde aqueles cuidados básicos (trocar fralda, dar comida na boca) vai sendo substituídos por discussões, explicações, exemplificações, e tudo mais que precisar.
Nosso menino esta crescendo, e nós estamos adorando a brincadeira.