Lorenzo é popular.
Lorenzo é muito popular.
Quando chega na escola é a alegria da criançada. Todos querem dizer oi, brincar, mostrar alguma coisa, e ele super atencioso vai dizendo: que legal, que bonito, bom dia e por aí vai.
Acreditamos que toda essa atenção se deve ao fato dele ser "levemente" diferente das crianças inglesas.
Timidez definitivamente passa longe daquele corpo. Ele ta sempre falando, pulando, dançando e fazendo piada. Sim, além de tudo é arriado que só vendo. Bonito (me deixa, que mãe que não acha seu filho um pitel?) desinibido e arriado? receita perfeita para agradar a criançada.
Toda essa popularidade claro que reflete na gente também.
Semana passada a turma fez um passeio esportivo. Foram até um ginásio onde tinha circuito e coisas mil, já começando o aquecimento para as olimpíadas. A professora da turma convidou o Bernardo para ir com eles e assumir um grupo de 10 crianças! Segundo ele, a criançada adorou e todos estavam muito curiosos de ficar perto do "pai do Lorenzo" (fora que adoraram e se matavam de rir de tentar falar BERRRNARRRDO).
Hoje fui deixa-lo na escola e sentei para ler com ele uma história. Em 2 minutos estávamos cercados de crianças querendo falar com ele e me entregando livros para ler.
Ser diferente, tanto física como "espiritualmente" pode ser assustador ou bacana. Lorenzo mostra todos os dias para nós e para sua turma que a diferença só acrescenta e enriquece os relacionamentos.
Dia desses Ber estava levando ele quando encontraram um colega. O menino todo feliz veio perguntar de onde éramos. A mãe fazendo o meio de campo explicou: "ele sempre pegunta pra mim de que país o Lorenzo veio " Bernardo super feliz de responder falou: a gente morava no Brasil! ao que o menino na hora manda: ahhhh achei que era da África! hahahahahaha
Nada como uns cabelos pretos, uns cachos e uma dancinha "a la funk" para movimentar as opiniões inglesas.
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quarta-feira, 9 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Aqui a gente come o bolo na festa
A festa foi um sucesso. E o mais importante de tudo, ele adorou!
Ao todo tivemos 14 crianças correndo pela casa, uma loucura só, sendo que dessas 11 eram meninos!
Lorenzo convidou 6 amigos da escola, 3 vieram e os outros eram vizinhos e filhos de amigos.
Ele estava muito ansioso esperando os convidados. Depois que ficou pronto, abriu a porta e ficou sentado nos degraus esperando.
Tiramos as camas do quarto dele, fazendo assim uma "brinquedoteca" incrível com todos os brinquedos.
O bolo foi um capítulo a parte. As crianças chegavam e diziam : uuuuuoooooouuuuu e todo mundo queria saber como eu fiz, se tinha bolo mesmo embaixo e essas coisas.... cantamos o parabéns e a criançada desmontou ele. Lorenzo abriu os trabalhos pegando os MMs e depois avançou no kit kat com a maior cara de pau, tendo a compania da molecada toda. Foi uma delícia.
Quando comecei a cortar o bolo e oferecer para eles, veio o lembrete, uma das colegas disse : não obrigado, vou esperar para levar na sacola de lembrancinha.... hahahahaha. Aqui o costume é esse, eu tinha esquecido, canta o parabéns e o bolo some, só veremos ele de novo enrolado em um guardanapo dentro da sacolinha. Bernardo explicou pra ela que nós fazíamos diferente, e ela meio chocada não quis comer.
Continuando a brincadeira, la pelo final da festa, a outra colega resolveu ousar e pediu uma fatia. Sentou pra comer enquanto a primeira observava. Oferecemos mais uma vez e ela não resistiu, e nesse momento aconteceu um dos diálogos mais engraçados dos últimos tempos:
-tá uma delícia esse bolo né?
-sim, muito bom
-e (entonação de alegria e surpresa) a gente ta comendo o bolo na festa!!!!!!!!!!
- (entonação de quem acabou de ganhar na loteria) euuuuuu seeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiii
Tive que virar de costas porque as lágrimas escorreram de tanto eu rir.
Sei que a criançada achou tudo muito diferente e divertido.
Na hora de ir embora, outra surpresa: nada de sacolinhas de doces, e sim um lápis gigante com borracha na ponta, que escreve mesmo!
Convidados satisfeitos e aniversariante desmaiando na cama de tanta alegria.
Meu meninão mereceu cada MMs colorido e cada negrinho (e não foram poucos) que ele comeu.
Ao todo tivemos 14 crianças correndo pela casa, uma loucura só, sendo que dessas 11 eram meninos!
Lorenzo convidou 6 amigos da escola, 3 vieram e os outros eram vizinhos e filhos de amigos.
Ele estava muito ansioso esperando os convidados. Depois que ficou pronto, abriu a porta e ficou sentado nos degraus esperando.
Tiramos as camas do quarto dele, fazendo assim uma "brinquedoteca" incrível com todos os brinquedos.
O bolo foi um capítulo a parte. As crianças chegavam e diziam : uuuuuoooooouuuuu e todo mundo queria saber como eu fiz, se tinha bolo mesmo embaixo e essas coisas.... cantamos o parabéns e a criançada desmontou ele. Lorenzo abriu os trabalhos pegando os MMs e depois avançou no kit kat com a maior cara de pau, tendo a compania da molecada toda. Foi uma delícia.
Quando comecei a cortar o bolo e oferecer para eles, veio o lembrete, uma das colegas disse : não obrigado, vou esperar para levar na sacola de lembrancinha.... hahahahaha. Aqui o costume é esse, eu tinha esquecido, canta o parabéns e o bolo some, só veremos ele de novo enrolado em um guardanapo dentro da sacolinha. Bernardo explicou pra ela que nós fazíamos diferente, e ela meio chocada não quis comer.
Continuando a brincadeira, la pelo final da festa, a outra colega resolveu ousar e pediu uma fatia. Sentou pra comer enquanto a primeira observava. Oferecemos mais uma vez e ela não resistiu, e nesse momento aconteceu um dos diálogos mais engraçados dos últimos tempos:
-tá uma delícia esse bolo né?
-sim, muito bom
-e (entonação de alegria e surpresa) a gente ta comendo o bolo na festa!!!!!!!!!!
- (entonação de quem acabou de ganhar na loteria) euuuuuu seeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiii
Tive que virar de costas porque as lágrimas escorreram de tanto eu rir.
Sei que a criançada achou tudo muito diferente e divertido.
Na hora de ir embora, outra surpresa: nada de sacolinhas de doces, e sim um lápis gigante com borracha na ponta, que escreve mesmo!
Convidados satisfeitos e aniversariante desmaiando na cama de tanta alegria.
Meu meninão mereceu cada MMs colorido e cada negrinho (e não foram poucos) que ele comeu.
sábado, 19 de novembro de 2011
Da arte de peitar suas escolhas....
sim, eu deixei ele sem meia com 8 graus. Porque, vai encarar?
Esse é um assunto que vem permeando minha cabeça já algum tempo. As escolhas que fazemos, as consequencias que elas trazem e como peitar e defender (ou nao) elas todos os dias.
Amamentação prolongada, diminuição da carga horária depois do nascimento do pequeno, fechar a casa e mudar de país deixando tudo pra trás, escolhas, escolhas escolhas....
Aqui nesse meio multi cultural (e multi um monte de coisas) nunca minhas escolhas foram tão
"jogadas" na minha cara.
Aqui, conheci pessoas (e elas me conheceram) como a mãe do Lorenzo, a esposa do Bernardo, a mulher que não trabalha. Já ouvi que mulheres que tem carreira não conseguem manter um casamento, que lugar de mulher é mesmo em casa e por aí vai.... minha escolha de passar esse tempo com eles, é simplesmente desconhecida por essas pessoas. Elas não sabem que comecei a trabalhar muito antes dos meus amigos, que fiz graduação/pós-graduação e muito trabalho no meio disso tudo. Preciso diariamente peitar minha decisão dessas pessoas me conhecerem como dona de casa.
Desfilando com esse barrigão, preciso todos os dias respirar fundo e não sair justificando para os ingleses que não estou tendo filhos as custas do governo. Que não ganhamos nada de benefícios, só "o da dúvida"mesmo.
Mas tudo isso pra introduzir, que o que andamos discutindo por aqui é as escolhas que fazemos todos os dias com relação a educação do Lorenzo.
Ele só não foi amamentado por quase 3 anos, como mamava a hora que queria, contrariando a nova corrente que diz que bebês são "tiranos" mesmo com 20 dias de vida. Ele ganhava colo, tinha pais a disposição dele 24 horas, e muuuuuito mimo. É magro que nem uma vara, mas sigo acreditando que é melhor assim do que entupir ele de bolacha recheada e calorias vazias. E agora o mais importante: em 4 anos anos ele não foi educado para obedecer as pessoas, e sim respeitar as pessoas. Ele é um menino questionador, não para de falar, e a frase "isso é assunto de adulto, não te mete" nunca saiu da nossa boca. Ele conversa com outros adultos o tempo inteiro, quer mostrar, contar, perguntar, indagar e quando não é ouvido, chama atenção mesmo. Nós ensinamos que a opinião dele importa sim, e quando vemos outros adultos desmerecem ou simplesmente ignorarem aquilo que diariamente ensinamos a ele, a corda aperta. E aí entra o "peitar" a coisa. Sim, ele vai te responder se achar que está sendo injustiçado. Sim, ele não para de falar e tudo quer saber porque, porque não aceita ordens injustificadas. Sim, ele se mete na conversa por achar que tem algo a acrescentar, e nós sempre escutamos, por decidimos que mesmo dando trabalho, e as vezes sendo chato, é isso que queremos ensinar para o nosso filho, ele importa.
Aqui como as pessoas tem filhos as pencas (ou pode ser só desculpa mesmo), o ideal é aquela criança "múmia"que brinca sozinha, se vira desde os 2 anos, não chora por nada, (nem sorri por qualquer coisa). Aquela criança que não "atrapalha".
Na escola ele se destaca, e não só por ser o único pretinho da turma, mas também pela criatividade e iniciativa nas coisas.
Esses dias quando fui busca-lo fiquei observando pela janela. A cada 3 palavras da professora ele levantava a mão pra perguntar algo, enquanto os outros ficavam quietos ouvindo. Em 5 minutos, ele levantou a mão 3 vezes. As mães que estavam junto ali, olhavam pra mim e sorriam.... não falaram nada, e nem precisava. Elas podiam achar o que quisessem, mas eu estava orgulhosa do grilo falante. Curioso e interessado.
Ele tem 4 anos, e lê várias palavras, monta quebra cabeças enormes, e nem vou falar das minhas paredes de lego e das suas naves espaciais. Canta o tempo todo, é a criança mais sorridente e afetiva da Inglaterra, provavelmente o melhor irmão mais velho, e advogado da mamãe como ninguém.
Imagino que daqui pra frente, cada vez mais essas escolhas venham nos cobrar seu "aval". Porque ele não é o que se espera aqui, uma "criança fácil". Exige todos os dias aquela "respirada fundo" e a retomada dessas escolhas como sendo a certa para nós.
Porque peitar uma escolha temporária não é nada perto de peitar os "porques" de um menino inteligente de 4 anos.
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