quinta-feira, 3 de março de 2011

"Em Brasilia 19 hs"





"Jack Soul Brasileiro
E que som do pandeiro
É certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue
E o país do swing
É o país da contradição..."



Faz algum tempo que tenho feito com o Lorenzo uma "Hora do Brasil" aqui em casa.
Eu sempre pensei como ficaria a "brasileirisse" dele por aqui, mas nunca passou mais do que isso, pensar.
Por aqueles motivos de sempre: que ele precisava se adaptar, precisa entender a língua e tudo mais... o melhor era mesmo uma imersão no mundo inglês.
Quando acabar nossa temporada aqui, ele vai ter passado a primeira metade da vida no Brasil, e a segunda metade na Inglaterra. Mas a segunda metade será a dele mais velho, com mais consciência e entendimento de tudo, ou seja: quero manter o Brasil morando nele, não só a língua que sempre falaremos em casa, mas também a comida (dentro do possível...), algumas tradições, e a música.
Entãaaaaaao, agora todos os dias no final da tarde temos a hora do Brasil.
Baixo várias músicas brasileiras, e ficamos eu e ele dançando que nem uns doidos. Ele adora, porque é folia, correria, dança no colo, jogo pra cima e de quebra gasto algumas calorias.
E nosso baile é do mais eclético : ouvimos Lulu Santos, que eu trouxe do Brasil, baixei uns cds ao vivo do Tom/Vinicius ( "a tristeza éeeee senhora, desde que o samba é samba é assim"), e também uma músicas do Lenini.
Ontem, ele encarnou na música A Ponte, do Lenine. Coloquei o ipod no repite, e ouvimos um milhão de vezes, no final ja estava até cantando junto.
"A ponte não é de concreto, não é de ferro

Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento"


Acho muito importante manter essas pequenas coisas, que não nos custam nada e que no final ainda é um jeito de manter pra ele o Brasil mais perto.

quarta-feira, 2 de março de 2011

La Vie En Rose



Hoje temos uma convidada especial escrevendo pro Blog: senhora noiva Renata Cristina Santos de Souza (por enquanto...)


Na volta ao Brasil, depois de 20 dias viajando por alguns lugares, eu li uma reportagem na revista da TAM sobre as cidades mais românticas do mundo. Com 25 %, Paris, entre um milhão de cidades, foi a vencedora. E a minha participação neste post é para confirmar este dado.
Chegando aqui, me lamentei por não ter feito o nosso roteiro ao contrário. Começamos por Paris. Depois, conhecemos a Itália (Milão, Veneza – 2.º lugar vencedor da reportagem TAM com 3% e Roma). Então, chegamos em Genebra. E, por último, Londres. ACREDITEM: Depois de Paris, tudo é cinza ou beje. AS COISAS NÃO BRILHAM A NOITE e isso pra mim é um absurdo. Tudo bem. O Big ben é super bonito e a igreja que o príncipe vai casar também. Eu até admito que a Dona Rainha mora muito bem e que os esquilos nos parques são uma graça.
Na Itália, o que eu fiz de mais romântico foi andar de Gôndola. Eu e o Lucas nos sentimos reis. Em umas das pontes um grupo de japoneses ficaram nos abanando e eu me senti a mais importante da cidade. Agora, a noite em veneza, parece a Garibalde aqui de Porto Alegre. Mil ruelinhas escuras, todas as lojas fechadas. A Praça principal da cidade não tem iluminação. Beemmmmm mais ou menos. Fraco! Milão até tem uma luzinha, mas porque é cidade grande. Aíííí, okei! Roma é uma gracinha. O Papa, então, nem se fala. Um fofo! Mas no romantismo, deixou a desejar. Eu acharia ótimo se ele (Papa) tivesse me casado. rsrsrs
A neve de Chamonix é linda. Mas, infelizmente, meu pé congelou tanto (POR DEUS, achei que ele ia cair), e não tem nenhum romantismo nisso. Mas porque???????? PORQUE EU JÁ TINHA PASSADO POR PARIS. Relembrando: Cinza, beje e, no caso da neve, branco.
Minha gente! Em PARIS... TUDO BRILHA!!! Até a bundinha do guardinha da esquina é iluminada. O banco da praça, as pontes, todos os postes. TUDINHO! Na primeira noite em Paris fomos dar uma olhadinha no Torre Eiffel. Toda dourada, se piscando. A coisa mais linda que eu já vi na vida. JURO que nem parece real. E FOI LÁ, aos pés da Torre que eu disse SIM! Com direito a noivo ajoelhado e anel de diamantes brilhando muito (obvio, combinando com TODA A CIDADE). Dia 14 de fevereiro é o dia dos namorados na Europa. E o Lucas vinha me torturando com uma mega surpresa que TODO MUNDO SABIA, menos eu. Então, fomos ao Bateau Mouches. O barco mais glamuroso (e brilhoso), chiquésimo e lindo de Paris. Acho que o mais lindo do mundo (mais até que o titanic hihihi). Não tinha como ser mais perfeito. Na melhor cidade e, obvio, com a melhor pessoa.

Desde que eu nasci eu sonho em me casar. Todo mundo sabe disso. Chega a ser uma doença. MESMO! ASSIM, TÃO EXAGERADO. Toda a semana eu sonho que eu fui pedida em casamento, ou que eu casei. Uma aluna do meu pai, há uns 4 anos atrás me deu uma revista de noiva e disse que já tinha o tecido do meu vestido. VERRRDADE! Agora que eu sou uma NOIVA (que emoção), vou acabar com o estoque de revistas de todas as bancas de Porto Alegre e vou procurar MUITO MAIS na internet mil modelos de vestidos.
GENTEEEE (como diz o Lorenzo), EU VOU ME CASAAAARRRRR!!!!!

“ Des nuits d'amour à plus finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Des ennuis des chagrins s'effacent
Heureux, heureux à en mouri.” *



"Em algumas noites, o amor nunca termina
Muita felicidade toma seu lugar
Todas dores desaparecem
Feliz, feliz de morrer. "

terça-feira, 1 de março de 2011

Londres, porque não....

MAis uma vez fomos a cidade maravilhosa. Ok, ok, não o Rio, mas a maravilhosa daqui.
Curtir a família e Londres no mesmo pacote, não tem preço.
PAsseamos, conversamos, tomamos umas pints, ficamos de ressaca.... tudo como deve ser.
Segue algumas fotos.

Meninos tentando ver a Rainha

Mãe tentando fugir do frio
"Cacunda papai....."
Pra onde mesmo? preciso de ajuda....

Noivos lindos (aguardo o texto....)

O grisalho mais lindo fazendo pose.

Luzes!!


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Aprendendo

A pessoa em crescimento aqui de casa (e não somos todos?) agora anda super interessada em escrever!
Esses dias perguntou na maior: "porque eu não sei escrever?" e desde então tem se mostrado um apreciador das letras (ok, ok.... igual ao pai, já sei).
Ele escreve LO já algum tempo no computador. Reconhece as letras, e como boa criança do mundo digital, aprendeu primeiro no teclado para depois passar para o papel. Quando começou a desenhar o L e o O, ficou super orgulhoso, e escrevia por tudo. Até que de uns dias pra cá perguntou como era o resto do nome.... Mostrei o R, que ele já conhecia por ser a letra da didi (Renata). Dai ficou uns dias assim, até que perguntou do resto e ensinei como fazer. Pronto.
Agora ele escreve o nome dele. Ainda precisa de umas retomadas, claro, faz numa boa o LORE, dai precisa lembrar das outras letras.
O Ber mostrou pra ele como escrever BE. Dai ele desenha todo mundo e coloca os nomes. Antes colocava só o D no meu nome, hoje, como ja sabia o D e o N, mostrei o A e o I. Adorou fazer a casinha e riu muito com o pingo em cima da tera I.
Acredito muito nesse tipo de educação, que vai do interesse da criança de aprender, sem neuras ou pressão. Acho ótimo que com 3 anos ele saiba escrever o nome dele e reconhecer várias letras, mas sei de cirança que com 3 anos já escrevem seu nome a tempos, pois os pais ficam marcando em cima, "vai, faz, faz, faz...".
Daqui a pouco começa a preocupação de alfabetiza-lo em Portugues, (pois em inglês ele vai aprender na escola) para acompanhar a turma no Brasil na volta, mas aí é outra história....

Segue fotos do novo "letrado" da família...








terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Mas a gente não sabe onde é a nossa casa...."

Essa frase foi dita pelo Lorenzo esses dias, quando falávamos em visitar uma querida amiga que no final do ano vai morar na Indonésia.
Eu falei super inocente, que seria uma boa idéia, e ele: não mamãe!! eu não quero ir pra lá porque a paisagem é muito diferente... (!!!) e também a gente não sabe onde é a nossa casa..."
Eu e o Ber ficamos falando, que ele as vezes perde a noção das coisas.
NO final do ano ficamos 6 dias em Londres, e ele no último dia teve uma crise achando que a gente não voltaria pra cá, e volta e meia fala "de quando a gente morava em Londres..." kkkkkkk.
Hoje conversando com uma amiga brasileira daqui, ela me contou que eles decidiram voltar pro Brasil no final do ano, depois de 4 anos aqui.
Na Inglaterra, eles tiveram uma casa super bacana, uma filha linda que é bilingue, o primeiro carro de vida deles e mais um monte de coisas legais, e no Brasil tem a indecisão de começar toda uma vida de novo, mas.... é no Brasil.
É engraçado esse sentimento. Eu considero aqui, fisicamente a minha casa. As minhas coisas, o nosso cheiro, a nossa rotina. Mas esses dias fazendo pipoca, senti aquele cheiro e falei : "que cheiro de..... casa..." porque lembrei o cheiro do Bourbon Ipiranga, que íamos quase todo dia.
Eles decidiram voltar porque ele pode ter um emprego bacana, mas principalmente, claro, pra ficar perto da família. Não família propriamente de sangue, mas dos amigos, do povo, do calor... de tudo que família/brasil significa pra quem mora fora.
E claro que estão preocupados. Com a segurança, com o dinheiro, com a educação e mais um milhão de coisas. Mas na hora que o coração aperta, ainda vão estar indo pra casa, mesmo que a 4 anos não seja mais a casa física deles.
Nós quando decidimos vir pra cá, decidimos ao mesmo tempo não sofrer. Não que seja fácil assim, mas se a decisão estava tomada, precisávamos transformar tudo no mais fácil possível. E assim está sendo... viajamos, temos nossas coisas, Lo vai pra escola, temos nossa rotina e nosso lazer... tudo muito diferente do Brasil, mas tudo muito bom também.
A única coisa que agora aperta o coração, é perceber que nos relacionamos e fazemos vinculo de amizade com pessoas que estão sempre voltando, ou indo, ou as duas coisas.

A gente da tchau pra família, pros amigos de todo uma vida, pra nossa cultura (e pro calor), daí faz amigos, e dá tchau pra uma que vai pra Indonésia pra fazer estagio por 6 meses, pra outra que vai voltar pro Brasil.... é sempre e eterna uma despedida.
Que coisa.

Mas pelo menos temos gente pra visitar pelo mundo todo!!!

Ja dizia Oswaldo Montenegro"...porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade"

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A noite em Paris


Ficamos poucos dias, e como tivemos umas perrengas por lá, conseguimos aproveitar a noite somente no sábado.
Resolvemos conhecer (eu e o Ber) a Sacre Coeur e depois decidir onde ir. Chegamos lá umas 21:30. Pegamos o bondinho que sobe aquela imensa escadaria, e nos deparamos com uma galera. O catedral é um "point" em Paris, onde o pessoal curte a vista maravilhosa enquanto toma uma cerveja!!!!!
Caminhamos por lá, entramos na Igreja (que rolava uma missa, mesmo aquela hora) e nos sentamos e ficamos vendo Paris, e a Torre toda iluminada, com seu farol girando pra lá e pra cá.
Depois de curtimos o clima, resolvemos descer pelas escadas (onde tinha uma grupo de violão, sax e percussão com franceses charmosos cantando "Desde que o samba é samba)e caminhar até o Montmatre, o bairro, digamos, boêmio da cidade.
Chegar até a principal rua, já foi uma delicia, porque nos perdemos nas ruelas com pubs, cafés e bares, onde certamente os Parisienses deveriam ficar rindo da cara dos turista que buscavam a muvuca...
Mas enfim, foi muito legal.
Caminhamos muuuuito, só curtindo e observando os bares que ofereciam sexo ao vivo, o museu do sexo, as sexshops que mais pareciam lojas de departamentos, até chegarmos no Moulin Rouge. Não entramos, pois o grande barato daquela noite era caminhar e conhecer, mas por fora, eu achei menor do que estava esperando.
O engraçado também, foi cuidar a reação de alguns grupos de pessoas. Os caras, eram abordados por senhores distintos de terno, chamando a gurizada para os shows, e os grupos de mulheres passavam dando risinhos envergonhados, ao se deparar com pênis gigantes de plástico expostos nas vitrine.
Temos uma história ótima de um casal conhecido (eles sabem que são.... hauhauhua), (juro que não somos nós!!) que resolveram desembolsar 20 euros por cabeça pra ver uns dos shows. Entraram, perguntaram o que seria, e as queridas disseram que era tudo que estava no cartaz. Ledo engano, as mocinhas da cidade, fizeram um pole dancing porco, que durou uns 5 minutos no máximo. Eles sairam batendo boca com as "putanas" e ja desconfiados do único telespectador fora eles. Huahuahuahua, e o melhor, a moça falou, depois, claro, que as "coisas do cartaz" sairia por 650 euros se eles quisessem.
Pra encerrar a nossa noite, pegamos um crepe, uma heineken e nos sentamos pra ver Paris (e os tipos mais engraçados) passarem na nossa frente.
Já dizia Hemingway, "Paris é uma festa"

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Comendo na França

Hoje eu vou fazer uma participação especial aqui só pra falar sobre a comida na França.

Sabe, ultimamente, desde que voltamos, eu ando meio sem vontade de comer. De verdade. Eu abro o armário e a geladeira e vejo: pão de sanduíche, queijo fatiado, margarina, coca-cola, pacote de bolachas. Aí eu me lembro de Paris e penso em baguette, croissant, vinho nacional (francês), créme-brulée, café au leit... sério, a quantidade de padarias, confeitarias, açougues, armazéns, fruteiras, casas de queijo, lojas de vinho, restaurantes, é uma coisa absurda em Paris. Só na rua do nosso hotel, pela janela, dava pra ver três padarias/  confeitarias (patisserie, boulangerie) uma em frente a outra. E isso que dobrando a esquina tinha mais. E outra coisa: tudo é delicioso.

Uma noite resolvemos comprar uma pizza tipo pega-comida-no-balcão porque todo o resto tava fechado e era a pizza mais deliciosa que eu já comi na vida. Simplesmente não tem como errar. Agora tenho que me contentar com pacote de pão do supermercado. Vou acabar perdendo uns três quilos só por falta de apetite. Paris estragou a comida pra mim. Quer dizer... estragou a comida fora de Paris pra mim.

O melhor episódio foi quando o Lucas (o único que sabia francês) não estava por perto e eu fiquei de comprar a comida (baguete, queijo, vinho, manteiga). Cada coisa numa loja diferente. Até ai tudo bem. Mas o Moacir e a Mara me pediram pra comprar um queijo que tinha uma casquinha braquinha em volta e era macio por dentro. Cheguei na queijaria e o que eu vejo? 876759 tipos de queijo, todos com uma casquinha branca em volta e macios por dentro. Escolhi um qualquer, olhei bem o nome e mandei ver no meu francês: "Un Troix-de-Biluxtublu, S'il vous plait?" A mulher não entendeu e chamou a colega. Eu disse (em francês) que não falava francês e ela perguntou se eu falava espanhol. Eu disse que não e perguntei se ela falava em inglês. Ela disse claro! E eu pensei "beleza, agora eu tô salvo!". Aí olhei pro nome do queijo e pedi de novo: "one oix-de-Biluxtublu, please". A porcaria do nome do queijo não tem tradução, né? Mas de qualquer jeito, ela entendeu e nós comemos muito bem naquela noite. Também teve o dia em que eu consegui pedir uma porção de arroz e uma de frango pra levar, tudo usando uma mistura de inglês, português, francês e gestos. Paris é uma festa.

Torre Eiffel, Louvre, Palácio do Blilbliblu? Que nada. Me dá um croissant recheado de chocolate ou um crepe e eu não quero mais nada de Paris. Só a comida. Prevejo que a única cura pra isso seja visitar a Itália.

Bernardo