domingo, 21 de abril de 2013

O menino dos meu olhos.


Eu sempre quis ser muita coisa. Muito coisa. Lembro de querer ser adolescente, depois de querer sair com o namorado, querer viajar, ser bióloga, jornalista, musicoterapeuta, ter dúvidas a respeito de tudo, mudar de ideia, e querer outras coisas bem diferentes.
Mas no dia 21 de abril de 2007 a vida me entregou o querer que eu sempre tive certeza absoluta de querer. SEMPRE. E ele veio gritando a plenos pulmões mesmo antes de sair da barriga já mostrando sua personalidade. Veio com cheiro de filho.
Hoje meu menino faz 6 anos e como ele mesmo diz, é um garotão.
Nos últimos meses cresceu de maneira incrível. Está alto, perdeu a carinha de menininho e cada dia que passa me aparece com argumentos e perguntas que nos enchem a cabeça de dúvidas e o coração de amor.
Tem melhores amigos, precisa de privacidade pra certas coisas e passa um tempão lendo sozinho em um canto.
Lorenzo nos desafia todos os dias. Com ele nao dá pra ligar o piloto automático pois nos surpreende de tantas maneiras que sempre prcisamos pensar, trocar, decidir, mudar. Lorenzo nao veio a passeio. Filho com F maiúsculo.
E ele é tão lindo. Quando cabeludo tem cachos rebeldes em volta do rosto, quando curto tem cara de moleque bagunceiro e todos os dias tem o sorriso mais doce que já se viu por aqui.
Ele é sensível. Nao gosta de injustiça, se indigna, briga e se enfurece pra depois chorar a batalha perdida. Continua enchendo os olhos de água quando brinca com a irmã e sempre diz o quanto ama e o quanto gosta de ter um bebê.


Filho querido: meu amor é tão grande mas tão grande que nem cabe mais só no meu colo por isso te desejo o mundo inteiro e que enquanto couber a nós mostrá-lo faremos do melhor jeito possível. Depois de tantos quereres, tudo que eu quero agora, é que. tua vida seja cheia de felicidade, aventuras e todas as coisas que tu escolher pra ela.

Te amo daquele jeito que tu sabe.
D.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

16 de fevereiro




Queridos, hoje é o dia.
É o dia de nervosismo, de expectativa, de felicidade.
É o dia de dizer sim um ao outro.
Na verdade, é o dia de dizer sim perante amigos e familiares que os amam, porque tenho certeza que já disseram sim um ao outro muito tempo atrás.
É dia de inaugurar a expressão " lá na casa dos meus pais" ainda inexistente no vocabulário de vocês.
É dia de surpresas, de sorrisos, de explodir de felicidade.
É dia de plantar sementes que irão gerar tudo o que vocês quiserem. Viagens, trabalhos, filhotes, amor, parceria. E que essas sementes sejam fortes mas flexíveis para quando a terra endurecer e a colheita não ser bem aquilo que desejarem.
Tenho motivos para ter certeza que apesar de toda essa felicidade que sentem hoje, ela é só uma janela linda e colorida para toda a alegria que essa vida a dois está trazendo pra vocês (meus dois motivos estão correndo aqui em volta brincando juntos....)
Meu coração está explodindo de amor por ver de pertinho essa família começando e o quanto vocês estão felizes com isso.

Boa vida queridos. Amo vocês.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Então ela é 1*

*na tradução literal do Lorenzo




Um ano atrás, numa Norwich coberta de neve, nascia nossa pequena.
Nasceu do jeitinho que a gente sonhou, num parto lindo e transformador.
Nasceu pra trazer cor de rosa a família acostumada com azul. Nasceu pra aumentar a família e multiplicar o amor.
Do alto de seu um ano, Alice começa incrivelmente a se afastar do bebezinho que foi até pouco tempo atrás.
É toda trabalhada no bom humor. Mas o que tem de simpatia tem de drama. Segue chorando e jogando a cabeça pra trás no maior estilo diva. É extremamente carinhosa. Abraça, beija, dá cheiro e poderia passar o dia no colo grudada bochecha/bochecha.
Já sabe vários "truques" como todo bom bebê. Da tchau, manda beijo, bate palma e agora da abraço apertado gemendo como se fosse explodir que é algo muito engraçado.
Diferente do irmão que no aniver de 1 ano já corria, a moça aqui vai com cuidado. Caminha de mãos dadas, engatinha que nem um foguete, mas compensa a aquisição falando. Fala mama, papa, tete, já disse um "vóv" quando falei vovó e chama o irmão de "dada".
No primeiro aniversário do Lo fizemos uma festona, com direito a salão e decoração. Quando nos diziam que ele não entenderia nada, eu só pensava: mas a festa é para nós!
Comemorar o primeiro ano de um filho é para os pais. Tem aquele gosto de eu sobrevivi consegui. Tem a compensação das noites em claro, das dúvidas que apareceram, dos medos que surgiram. 
É uma delícia e ao mesmo tempo um aperto ver o quão rápido ela cresceu. Ver a menina tomando forma conforme os cachos do cabelo vão aparecendo.

Filha querida: o mundo inteiro te espera cheio de aventuras, coisas lindas e incríveis pra conhecer e descobrir, basta estar atenta e aberta pra elas. Te amamos muito, do tamanho do universo e como diz o mano "exatamente do jeito que tu é" . Feliz aniversário flor.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Muito dinheiro no bolso seria ótimo, mas saúde pra dar e vender é o que importa.


2012 por aqui foi um ano daqueles!
Começou com um pai, uma mãe barriguda e um menino contando os dias. Terminou com um pai, uma mãe menos barriguda, um menino feliz e uma meninona mimosa e cheia de personalidade.
Final de ano sempre me deixa emotiva., mais que no natal. Eu sei que na prática a coisa não muda, mas gosto de pensar no que estamos encerrando e nos 365 dias de oportunidade que se apresentam na nossa frente.
Os últimos anos foram intensos e cheios de descobertas, para todos nós. Esse 2013 fresquinho que  esta chegando aí não será diferente.
 De cara, no segundo mês dele, teremos uma menina de 1 ano!! Um ano já!!!!! Poucos dias depois a família oficialmente aumentará quando a gatona e o grandão falarem SIM um para o outro e colocarem na lista dos de Souza um jogador de rugby.  E do meio para o final do ano teremos 4 seres cheios de saudades, medo, alegria e expectativa voltando para a bagunça familiar! Já chegou o ano!!!!

Nosso 2012 se despede com a cara que teve nossos anos aqui, nós 4 juntos, na nossa casa, curtindo nosso ninho.
Resumindo a função, dia 21 Lorenzo começou com uma febre, que se seguiu na mocinha, que resultou em crianças com escarlatina, antibiótico e febre de 40 graus. Por ser muito contagiosa cancelamos as festas com os amigos e esperamos o papai noel tranquilos, curtindo presentes e colocando os doentinhos na cama cedo para melhorar.
Hoje, as crias estão bem melhores, sem febre e no final do curso de remédios, mas papai pegou uma gripe daquelas e está exercendo seu direito de ser cuidado e mimado.
Teremos uma janta com amigos queridos que acabaram de se mudar para Norwich de novo, crianças irāo brincar, brigar, adultos irāo conversar e tomar vinho e 2013 será recebido de braços abertos.
Eu como sempre, desejo que o seu 2013 seja CHEIO das coisas que te fazem feliz: viagens, dinheiro, estudos, filhos, saúde e tudo aquilo que é de mais querido e importante na tua vida. Que a gente saiba curtir os 365 dias recém nascidos do jeito que a gente escolher, e que cada um saiba entender e respeitar essas escolhas dos outros.
Para nós, eu quero saúde,viagem, gargalhadas de irmãos, namorar meu lindão e construir uma nova vida linda no velho país tropical que está nos esperando de braços abertos.

Vem 2013, seu lindo.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

9 dentro 9 fora

foto by Dani Heisler


Eu tenho posts lindos, emocionantes e engraçados na minha cabeça todos os dias.
Só os dedos e o tempo que não me acompanham...

Mas hoje vim comemorar os 9 meses da nossa flor.
Flor é um apelido engraçadinho e mimoso, assim como ela, mas não resumem essa brasileira/inglesinha nem de perto.

Alice com seus 9 meses de vida já tem uma personalidade impressionante. É toda trabalhada no bom humor. Ta sempre numa boa distribuindo sorrisos e charminho por onde passa. Acorda sorrindo, vai dormir sorrindo e é só falar fino com ela que pronto, tá garantido a brincadeira 

O que tem de bom humor compensa em drama.
Bernardo ontem mesmo falou: Alice, só tenho pena do teu namorado, porque olha... a guria é chegada num drama inacreditável.
Vai colocar ela na cadeira pra comer? se atira pra trás, jogando a cabeça e os braços enquanto grita, no maior estilo : me olhem por favor.
Sabe nenê quando cai de cara no chão e chora daquele jeito que todos saem correndo pra ver o que aconteceu? assim é quando se tira alguma coisa da mão dela. Chora como se não houvesse amanha (sempre atirando a cabeça pra trás que é pra causar impacto) e se o objeto em questão é devolvido, abre um sorriso (de olhos secos, óbvio, porque drama queen não derrama lágrimas por nada certo?) e segue como se nada tivesse acontecido.

É louca por controle remoto, fios e colares da mamãe, mas seu brinquedo favorito ainda é o irmão. 
É simplesmente apaixonada por ele, e segue gargalhando e lançando olhares que são exclusividade dele e para ele.

A nova moda é que brincam de esconder.
Ele se esconde e ela vai engatinhando atrás pra descobrir onde ele está.
Ah, não falei que ela engatinha? Engatinha por tudo, rápido que só e obviamente vai atrás só do que não pode.

Aos poucos eles começam a brincar um com o outro. 
Ficam no quarto juntos, Lorenzo vai conversando com ela, contando, ensinando e ela ali, como estátua olhando e admirando ele. 
Ontem deram folga brincaram uns 10 minutos e depois ele disse: mães, nós conversamos e agora queremos ir brincar lá embaixo...

E assim segue nossa vida.
Estivemos em Berlim semana passada, e um post está sendo devidamente escrito pensado, mas prometo que terá até fotos!!

Feliz mesversário pretinha.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"eu prefiro seeeeerrrr, essa metamorfose ambulante"

Fazem dias que estou gerando um post sobre mudar.
Nada muito específico, por isso a dificuldade de colocar no "papel".

Eu mudo de ideia. O tempo todo.
Como mãe então!!! não consigo ser nem fazer diferente. Não sou a mesma mãe pra Alice bebê que fui com o Lorenzo bebê! quem eu to querendo enganar, não sou agora a mesma mãe pra eles que fui 1 mês atrás!!

Tenho mil escolhas que faria diferente, tem outras mil que me orgulho pra caramba, e essa é a minha história. 

Se a Daniela de hoje voltasse no tempo e encontrasse a Daniela mãe do Lorenzo com 8 meses (passado o desmaio do choque de me ver na minha frente) elas certamente se pegariam no pau nervoso. Rolariam no chão, puxariam os próprios cabelos, palavras de baixo escalão seriam ouvidas, e depois as duas se abraçariam, chorariam, chegariam a conclusão de que na verdade não sabem de nada e voltariam a discutir se iriam tomar um chimarrão ou um chá inglês.

Eu voltei a trabalhar quando o Lo tinha 40 dias. Hoje passo o dia com a preta.
Lorenzo não dava um resmungo sequer sem alguém checar se ele estava bem. Alice não fica chorando, mas esperar um pouco não custa nada certo?

Já pensou essas duas mães tentando chegar a um acordo?
A realidade é que ser diferente é ótimo.
Já pensou se todas as família criassem os filhos iguais? 
Teríamos adultos em série, ou bons em esporte já que só brincavam na rua, ou gênios da informática que passavam horas na frente de uma tela. 

Já fui mais radical quanto a televisão. Lorenzo ja passou DIAS sem poder assistir um desenho. Hoje depois da escola tem seu momento de pernas para o ar. 
Já fui menos radical quanto a alimentação: teve uma época que bolachas recheadas eram comidas diariamente, hoje nem compramos mais. 
Fiz uma cesárea, fiz um parto normal.
Mudei de ideia.

eles são lindos, bonitos e não deixam a mãe ter certeza de nada. 


Com relação a filhos, muita gente passa a impressão de que tem todo o plano pronto. "Meus filhos farão isso nessa hora, depois vai acontecer assim, e depois assim" deixando a meu ver, uma fenda enorme para a frustração entrar.
Eu decidi amamentar o Lo por 6 meses e depois introduzir a comida e parar de amamentar. Aconteceu que ele não aceitou NADINHA e acabou mamando por uma eternidade.
Eu decidi que já que amamentei um tempão e foi bacana, Alice poderia ser amamentada por um tempão também. Acontece que ela AMA comer e fica numa boa sem o peito durante o dia.
Se eu fosse resistente a mudanças, estaria perdida!

O que não muda é que a criançada vem com um chip de fábrica dizendo pra fazer tudo diferente do que os malucos que elas chamam de pais acham que elas vão fazer.

Quem precisa de certezas.
E de ter a velha opinião formada sobre elas. 





domingo, 7 de outubro de 2012

Raymond, o chinês.

雷蒙
raymond


"hoje no karatê eu conheci um chinês que se chamava Raymond..."

Assim começou a frase do Bernardo. Na hora explodi rindo.

Ele conhece ao todo 3 chineses por essas bandas: Raymond, Ryan e Jeffrey!!!

Certamente esses não são os nomes deles, rolando por aqui a discussão: é "certo" abdicar do próprio nome para facilitar a vida em um país diferente?

Ber defende que sim. Que pra não perder tempo explicando e corrigindo todo momento, eles fazem bem em adaptar, se adaptar, aos padrões ingleses. Eu não acho.

Não sabemos se é uma coisa cultural, se é opcão individual e aconteceu de por acaso ficarmos conhecendo os únicos chineses/ingleses de Norwich ou se é a universidade que recomenda que eles façam a troca, mas não interessa, acho que qualquer uma das opções é complicada.

Nome é identidade. É como tu apresenta ao mundo. É parte da tua cultura, do teu país de origem.

Prefiro acreditar que não seja uma orientação da universidade, pois caso seja, acho preocupante.

Nos último tempos, o Reino Unido tem dificultado a entrada de estrangeiros no país, com a desculpa da conhecida crise econômica. Os estrangeiros que são aceitos (nós!) passam cada vez mais problemas e exigências absurdas feitas pelo governo. Tipo assim: nós te aceitamos, mas faremos a tua vida difícil para que tu não queira ficar por aqui.

Abrir mão do próprio nome, ao meu ver, diz para eles: vocês estão certos, esse é o único meio de se viver, por favor não me mande embora, quando na verdade manter o próprio nome pode ser dizer: "nossa, esse país é legal, ele só tem a ganhar com o que eu posso oferecer"

Para mim, morar em um lugar diferente acrescenta tanto para o estrangeiro quanto para o nativo, pois a riqueza está justamente na troca.  Que vai da aceitação a mulher coberta pela burca, ao respeito de aprender e pronunciar o nome do colega, seja ele qual for. 

Na nossa comunidade de mil culturas, fizemos questão de pronunciar o nome das pessoas na língua a qual elas pertencem, não só por respeito, mas por diversão também! Quantas chances temos na vida de numa tarde (hoje) ter na rua brincando: 1 brasileiro, 1 nijeriana, 2 canadenses, 1 francês, 1 português, 1 Italiano e 1 inglês?  bora chamar a criançada pelos seus nomes certos e valorizar o mundo de onde eles vieram. Difícil? enrola a língua pra chamar o brasileiro, faz beicinho para o francês, capricha na entonação com o italiano que tudo da certo.

Acredito que boa parte da troca se perde ao chamar um chinês de Raymond, seja por qual motivo for. 
O mundo tem um tantão de coisas bacanas (e diferentes) espalhadas por aí. Por mais impronunciável que seja, vale o esforço do respeito a identidade do outro. E que se for impossível, as risadas estão aí para fazer todo mundo se entender.

Porque "todo mundo é igual" é uma mentira do caramba. 

Ainda bem.