domingo, 27 de novembro de 2011

O primeiro cofrinho

Faz algum tempo (mas não muito, uns 2 meses) que fizemos um cofrinho com o Lorenzo.
Não como esse da foto, o nosso era bem artesanal. Com uma caixa de papelão, uns papéis coloridos e tava feito.
Começamos dando pra ele colocar lá só moedas que "sobravam" 1,2,10 centavos... mas aos poucos qualquer moeda ia pro cofrinho. Todos os dias ele pedia pra abrir, sem a menor paciência de esperar.
Como acabamos achando um aqui (que a Dani deixou) bem parecido com esse da foto, ontem deixamos ele abrir.
Feliz da vida destruiu o cofre e espalhou as milhares de moedas de pouquinhos centavos pela sala, totalizando 5 pounds.
Hoje pela manhã saímos (no frrrrrrio) e levamos ele para gastar seu dinheiro.
Direto na loja de brinquedos, olhou, olhou, foi nos mais caros (óbvio) mas entendeu logo que o dinheiro dele dava pra comprar só algumas coisas. Mostramos as opções e ele saiu com um jogo. (aquele que precisa-se tentar equilibrar os macacos na árvore, que cai tudo quando fica pesado...) e a cara dele saindo da loja com a sacola do brinquedos que ele comprou com o DINHEIRO DELE foi ótima!
Na hora fomos pra praça de alimentação e começamos a jogar (até sermos expulsos pela moça da segurança que disse que não poderíamos ficar sem comer :( ).

Ele foi até o caixa e pagou (mas não gostou muito de deixar toooodas as moedas).
Ah! e a cara do caixa da loja, com aquele sorriso amarelo, vendo o garotinho com o saco cheio de moedas de 1 centavos, foi linda!!
Uma experiência bem legal pro Lorenzo, que agora sabendo o que dinheiro compra, já ta todo animado pra quebrar o porquinho de verdade.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Baby Shower

O chá de bebê foi no sábado passado.
Resolvi fazer um pouco diferente e chamar a família toda, homens e mulheres para brindar com a gente a chegada da pequena.
Foi muito legal. Poucas pessoas, muitas crianças, bagunça, vinho e muita conversa boa.
Convidamos 5 famílias amigas, com 8 crianças correndo pela casa e pulando na cama do Lorenzo.
Deixei o Bernardo responsável pelas fotos.... nem preciso dizer né? mas tirei algumas dos presentinhos que Alice ganhou.
Lorenzo curtiu muito brincando com os meninos, e abrindo os presentes da irmã. Disse que já que ela ainda não tinha nascido, ela abriria pra ele.
Pensamos primeiro em comprar alguma coisa pra ele também, pra não se sentir de lado, mas tirou de letra!!! uma amiga trouxe um chocolate pra ele, e outro casal um kit de máscaras para montar. Ele gostou, mas nem abriu na hora, estava curtindo mesmo a função (e os cupcakes e negrinhos...)
Estou nas últimas "lavagens e passagens" de roupa dela. E minha parteira falou que é bom deixar as malas da maternidade prontas com 30 semanas. Ou seja, essa semana preciso pensar nisso também. Estamos aos poucos nos aproximando da estreia....

Só pra constar, o tempo por aqui continua otimo! já sei que nos EUA e Canadá está nevando a muito tempo. Por aqui continuamos com máximas perto dos 10 graus e até um solzinho esporádico vez que outra. Na sexta tem aquela festa de natal da escola do Lo que participamos no ano passado (a do helicóptero...), e voltamos pra casa debaixo de muuuuuuita neve e um dos piores frios que passamos por aqui! Tudo indica que essa será diferente, veremos.

sobre legging de recém nascida!!
leggins e camiseta
botinhas para usar com legging e sobre leg (sou fashion gente!)

cupcakes que foram sucesso!




sábado, 19 de novembro de 2011

Da arte de peitar suas escolhas....

sim, eu deixei ele sem meia com 8 graus. Porque, vai encarar?


Esse é um assunto que vem permeando minha cabeça já algum tempo. As escolhas que fazemos, as consequencias que elas trazem e como peitar e defender (ou nao) elas todos os dias.
Amamentação prolongada, diminuição da carga horária depois do nascimento do pequeno, fechar a casa e mudar de país deixando tudo pra trás, escolhas, escolhas escolhas....
Aqui nesse meio multi cultural (e multi um monte de coisas) nunca minhas escolhas foram tão
"jogadas" na minha cara.
Aqui, conheci pessoas (e elas me conheceram) como a mãe do Lorenzo, a esposa do Bernardo, a mulher que não trabalha. Já ouvi que mulheres que tem carreira não conseguem manter um casamento, que lugar de mulher é mesmo em casa e por aí vai.... minha escolha de passar esse tempo com eles, é simplesmente desconhecida por essas pessoas. Elas não sabem que comecei a trabalhar muito antes dos meus amigos, que fiz graduação/pós-graduação e muito trabalho no meio disso tudo. Preciso diariamente peitar minha decisão dessas pessoas me conhecerem como dona de casa.
Desfilando com esse barrigão, preciso todos os dias respirar fundo e não sair justificando para os ingleses que não estou tendo filhos as custas do governo. Que não ganhamos nada de benefícios, só "o da dúvida"mesmo.
Mas tudo isso pra introduzir, que o que andamos discutindo por aqui é as escolhas que fazemos todos os dias com relação a educação do Lorenzo.
Ele só não foi amamentado por quase 3 anos, como mamava a hora que queria, contrariando a nova corrente que diz que bebês são "tiranos" mesmo com 20 dias de vida. Ele ganhava colo, tinha pais a disposição dele 24 horas, e muuuuuito mimo. É magro que nem uma vara, mas sigo acreditando que é melhor assim do que entupir ele de bolacha recheada e calorias vazias. E agora o mais importante: em 4 anos anos ele não foi educado para obedecer as pessoas, e sim respeitar as pessoas. Ele é um menino questionador, não para de falar, e a frase "isso é assunto de adulto, não te mete" nunca saiu da nossa boca. Ele conversa com outros adultos o tempo inteiro, quer mostrar, contar, perguntar, indagar e quando não é ouvido, chama atenção mesmo. Nós ensinamos que a opinião dele importa sim, e quando vemos outros adultos desmerecem ou simplesmente ignorarem aquilo que diariamente ensinamos a ele, a corda aperta. E aí entra o "peitar" a coisa. Sim, ele vai te responder se achar que está sendo injustiçado. Sim, ele não para de falar e tudo quer saber porque, porque não aceita ordens injustificadas. Sim, ele se mete na conversa por achar que tem algo a acrescentar, e nós sempre escutamos, por decidimos que mesmo dando trabalho, e as vezes sendo chato, é isso que queremos ensinar para o nosso filho, ele importa.
Aqui como as pessoas tem filhos as pencas (ou pode ser só desculpa mesmo), o ideal é aquela criança "múmia"que brinca sozinha, se vira desde os 2 anos, não chora por nada, (nem sorri por qualquer coisa). Aquela criança que não "atrapalha".
Na escola ele se destaca, e não só por ser o único pretinho da turma, mas também pela criatividade e iniciativa nas coisas.
Esses dias quando fui busca-lo fiquei observando pela janela. A cada 3 palavras da professora ele levantava a mão pra perguntar algo, enquanto os outros ficavam quietos ouvindo. Em 5 minutos, ele levantou a mão 3 vezes. As mães que estavam junto ali, olhavam pra mim e sorriam.... não falaram nada, e nem precisava. Elas podiam achar o que quisessem, mas eu estava orgulhosa do grilo falante. Curioso e interessado.
Ele tem 4 anos, e lê várias palavras, monta quebra cabeças enormes, e nem vou falar das minhas paredes de lego e das suas naves espaciais. Canta o tempo todo, é a criança mais sorridente e afetiva da Inglaterra, provavelmente o melhor irmão mais velho, e advogado da mamãe como ninguém.
Imagino que daqui pra frente, cada vez mais essas escolhas venham nos cobrar seu "aval". Porque ele não é o que se espera aqui, uma "criança fácil". Exige todos os dias aquela "respirada fundo" e a retomada dessas escolhas como sendo a certa para nós.
Porque peitar uma escolha temporária não é nada perto de peitar os "porques" de um menino inteligente de 4 anos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Children in need

urso da campanha. E suas bolinhas

Eu falo, falo, mas não adianta, tem sempre alguma coisa diferente pra aprender por essas bandas.....
Nada é tão social pra nós, quanto os eventos e festas da escola do Lorenzo. Lá que convivemos com os ingleses "in loco" e conseguimos vivenciar realmente como funcionam os britânicos.
Já falei das festas, das comemorações, das reunião e por aí vai.... duas semanas atrás começou na sexta a tarde o "work sharing" onde pouco antes do final da aula as crianças sentam nas mesas e mostram aos pais os trabalhos que fizeram naquela semana. Os pais podem dar uma olhada na sala, e no final escrevem num post-it alguma coisa bacana que a criança fez naqueles dias e colam na "estrela" de cada um dentro da escola.
Na primeira semana aquilo: meia dúzia de pais, crianças esperando e olhando pra porta, e eu e o Ber ali, os dois babando nos trabalhos do pequeno.
Já aconteceu também, tipo festa do pijama: só uns gatos pingados de pijama e os outros de roupa normal... e eu a mais crítica "pobre crianças, o que custa os pais olharem a agenda e bla bla bla..."
Hoje é o dia do Children in Need, onde as pessoas/escolas/instituições, arrecadam dinheiro em prol das crianças. Desde crianças hospitalizadas até terapia para algumas que passaram por traumas.
Veio da escola o bilhete pedindo umas moedas para contribuição, um circulo em branco (onde ele deveria colorir e enfeitar e voltar pra escola) e um texto dizendo para as crianças que quisessem irem de "spots" (bolinha) pela roupa.
Ok, pensamos. Moedas no saquinho (que lembramos de ver no ano passado), circulo pintado e enfeitado, e como ele não tinha roupa de bolinha, colocamos 4 botons do carros que ele tinha aqui.
Levei pra escola, e óbvio, TODO mundo estava de bolinha até o pescoço!!!!!
Crianças com bolinhas coloridas pela cara, roupas pintadas a mão, com a cara do urso da campanha, bolinhas costuradas por toda calça (!!!!!!!!!!), os irmãos bebês com roupas, gorros, casacos de bolinhas!
Fala sério, é difícil de acompanhar né? como eu vou saber que a campanha de ajuda a crianças é mais levada a sério do que festa do pijama? kkkkk ok, ok, eu sei que faz todo sentido do mundo, e que deveria ser assim mesmo, mas fica difícil né?
A sorte, é que ele não se importa muito. Algumas professoras estavam complementando o mundo de bolinhas das crianças com adesivos, e ele não quis colocar, o que só faz eu me sentir mal, não ele.
E pra piorar, esqueci de entregar o circulo enfeitado dele pra professora!! espero do fundo do coração que ele lembre que está ali na bookbag dentro da sala e entregue a ela para não ficar de fora dessa também.
E no final, é só mais uma da série "vamos ver o que esguicho consegue fazer sozinho."

Ano que vem me aguardem, ele vai parecer até que está com catapora de tanta bola!!!!



update: não aguentei. Acabei de ligar na escola falando do trabalho dentro da bookbag.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Como nasce um irmão

eu e os manos.

Quase um ano atrás contei aqui como lembrava perfeitamente da hora que a minha irmã nasceu. Que não lembro da função toda, da ida pro hospital, de sair correndo, mas lembro como se fosse ontem da luz vermelha ascendendo e da enfermeira trazendo o pacote sujinho ainda, e mostrando ela para eu e meu pai. Eu tinha 5 anos. E ali nasceu uma irmã.
Cresci ouvindo meu pai contar que lembra com exatidão quando precisou chamar a parteira para ajudar sua mãe a parir em casa. Entre água quente, panos e correria. Ele com 4 anos. Ali nascia um irmão.
Quando "os segundinhos" aparecem numa família, a família já existe. Já existe uma mulher que se tornou uma mãe, um homem que se tornou pai e uma criança que estreou se tornando o filho deles. Mas o que nasce junto com essa outra criança, é um irmão. Um irmão que foi filho único por um bom tempo, que curtiu as regalias da exclusividade de mãe, pai, avós tios...e um mooooonte de gente que só tinha olhos pra ele.
Mas, eu não lembro absolutamente NADA da vida antes da minha irmã. Pelo contrário, as lembranças que tenho antes dos 6 anos, posso jurar que ela também estava por lá!
Fico pensando no impacto que a Alice terá na vida do Lorenzo.
E não tenho a menor dúvida, vai ser um divisor na vida dele.
Será que daqui a 30, 40, 50 anos como o meu pai, ele vai lembrar do dia que ela nasceu? será que vão brigar, ser amigos, conversar?
Quem tem filho, sabe que na vida NADA é igual a primeira vez que a gente olha pra carinha daquela criatura. Quando eu penso em ver a Alice pela primeira vez meu coração chega a apertar, mas quando penso na Alice e no Lorenzo se conhecendo pela primeira vez, fico com medo de explodir de amor.
Só posso torcer e esperar que ela nasça bem, nascendo com ela esse irmão mais velho que não vê a hora de saber que cara tem essa barriga gigante.

Eu me remexo muito...

video
Ninguém pode dizer que ela não está tentando desvirar... e acho que conseguiu!

Para que a gente nunca esqueça!


"Meu pai costumava brincar comigo e meu irmão no jardim. Mamãe gritava e dizia: vocês estão estragando a grama!!! Nós não estamos criando grama, dizia meu pai, nós estamos criando meninos...."

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Da percepção infantil....

eu sou sujinho, inteligente e sempre acho que a culpa minha


Ontem na volta da escola Lorenzo, indignado e chateado, veio me contando que queria muito o "little man" também.
E explicou: o little man é um boneco de borracha que o aluno mais comportado da sala ganha na hora do "carpet" , ou seja, quando param para ouvir a professora, cantar, essas coisas... Meu coração já pulou! "Mas filho, então fica comportado que o teu dia de ganhar o boneco vai chegar" ele na maior cara de tristeza me explicou que ele tentava, mas que não conseguia, e que era sempre esse amigo que ganhava.... disse ainda que naquele dia antes do almoço tinha ficado bem quieto e que depois não tinha conseguido mais....
Eu já achando tudo muito exagerado (e culpando os ingleses), comentei com o Ber a noite, e decidimos perguntar pra prof qual era a do tal boneco, e explicar que ele também queria ganhar, que estava tentando e bla bla bla...
Ber foi levar ele na escola agorinha e acabou de me ligar rindo, contando que falou com o professora, e na verdade, o tal do "little man" é só um boneco qualquer que ela entrega sempre pra esse mesmo colega porque ele simplesmente não consegue ficar concentrado quieto, e ela entrega a ele como forma de distrai-lo.
Fiquei pensando em quantas e quantas vezes isso não acontece com as crianças. Elas tendem a achar que TUDO sempre é culpa delas. Que não estão fazendo suficiente, que precisam ser punidas e por aí vai... provavelmente a professora não explicou pra turma toda que dava o boneco pro guri ficar calmo (até porque iria expor o pequeno) e os outros, automaticamente acharam que o menino era privilegiado porque só ele tinha brinquedo....
Fica a reflexão de sempre prestar atenção no que ele tem a dizer, mas já não sair brigando antes de entender toda a história....

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Consulta





Acabei de voltar da consulta com midwife. Alice é um bebezão! mas um bebezão sentado :(
A midwife mede a altura uterina, que é compatível com a quantidade de semanas. 20cm=20 semanas. Estamos com 28 semanas e 30cm de altura do útero (e para os engraçadinhos é útero mesmo e não gordurinha localizada... ela "espalha" as banhas (oh dear) para sentir só o útero. Disse que é possível que ela nasça um pouco antes, quando atingir os 40cm de altura... se continuar nesse ritmo com 38 semanas podemos nos preparar!
Sobre ela estar sentada, ela disse para eu não me preocupar porque até 36 semanas ela vira e desvira muitas vezes. Me recomendou uns exercícios que já estou fazendo que é pra ela não se acomodar onde está. Na verdade não esta beeeeem sentada, está transversa. A cabeça embaixo da minha costela direito (autch) a bunda na altura do umbigo e sinto uns chutes bem "lá mesmo".
Mas sinto que ela ta tentando se mover.... uma semana atrás estava 180 graus, com a cabeça do lado esquerdo, tenho certeza.. só ainda não é muito boa de matemática, em vez de virar 90 graus e ficar de cabeça pra baixo passou um pouco do ponto.
Fiz exames de glicose e proteina no sangue, tudo certinho. A pressão continua laaaaa em baixo como sempre. Essa semana medi 2 vezes e estava 9/4 (!!!!!) hoje estava até alta, porque caminhei uns 50 minutos antes de chegar lá, 11/7. kkkkk tudo ótimo.
Alice coração batendo a 150 e bem espuleta.
Minha próxima consulta será daqui a 6 semanas, e depois começa de 2/2 até ela estrear por aqui.



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pré - natal

Lorenzo desenhando na Alice

Muita gente me pergunta como funciona o pré-natal por essas bandas, e achei que estava na hora de falar um pouco sobre isso.
Pra começo de conversa, gravidez não é (nem de perto) sinônimo de doença.
A primeira consulta só acontece depois das 10 semanas de gestação. Antes disso eles nem marcam, já que (como sabemos) as chances de perda ainda são grandes, e não há quase nada que se possa fazer a respeito.
A primeira consulta é feita com a midwife que irá te acompanhar durante toda a gravidez. Midwife são "parteiras com formação" já que são obstetrizes, tipo uma enfermeira obstetra, que só trabalha com gestantes. Elas possuem uma longa formação, e são as mais adequadas a cuidarem das grávidas por aqui. Se a gravidez correr sem problema, a gestante nunca vê um médico propriamente dito, já que o parto também é feito por elas.
Nessa consulta, ela preenche toda a papelada: histórico anterior, histórico familiar, e intenções da paciente quanto ao parto e a amamentação, já que amamentar por esses lados é incomun, na primeira consulta, conforme a resposta da paciente, ela já encaminha para um lado ou outro. O parto também é discutido, já que pela NHS (SUS daqui) a mulher pode optar por ter parto em casa.
Eles partem do princípio que hospital é pra doença, e não pra nascimento, e uma mulher com uma gravidez normal, sem riscos, pode parir no conforto do seu lar, com a midwife disponível pra ela DE GRAÇA. A única coisa é ter um ambiente com espaço e limpo para o bebê chegar.
Como tive uma cesárea prévia, elas disseram que o ideal seria ter parto no hospital, mas que se eu quisesse poderia sem problemas ficar em casa. Faremos no hospital.
Recebemos também uma pasta com várias informações a respeito dos meses seguintes, entre elas, uma folha explicando quantas consultas/exames teremos e em quais semanas elas acontecerão.
Uma coisa interessante é: o programa é diferente se for a primeira ou segunda/terceira/quarta/décima gestação. (olha o meu aí)
Eu até agora, com 27 semanas de gravidez, tive só 2 consultas: uma com 10 semanas e outra com 16. Sim, fazem, quase 12 semanas (3 meses) que não tenho consulta. Outra curiosidade: nunca fui examinada pela midwife. Com 16 semanas ela ouviu o coração da nenê, e mediu a pressão, perguntou como eu estava e pronto. Não foram nem 5 minutos de consulta.
Agora vou dizer, to gostando desse esquema.
Se fosse o primeiro filho, provavelmente estaria careca e com gastrite de tanta preocupação, mas agora, vejo realmente que não tem porque ser diferente. Sinto Alice mexer toda hora, estou me sentindo super bem, e o velho "não mexe em quem ta quieto" funciona muito bem nesses casos. Minha próxima consulta será na semana que vem, com 28 semanas, onde, segundo o guia, tenho exame de urina e provavelmente de glicose.
Depois das 28, com 34 , 36, 38... e até o bebê nascer as consultas passam a ser de 2/2 semanas. E olhem só: aqui uma gravidez chega tranquilamente as 42 semanas, ou 40+13 como dizem, e partem para indução, e não para cesárea.
A cesárea aqui, aliás, é um bicho de sete cabeças, TODAS as mulheres morrem de medo de fazer uma. E não existe a tal cesárea eletiva. Simplesmente, a mulher não pode e não quer, chegar pra midwife e dizer: tenho medo do parto, quero uma cesárea. As poucas que conheci que passara pelo procedimento, fizeram de emergência, ou seja, entraram em trabalho de parto e por algum motivo não deu, então partiram pra cesárea. Eu, com uma cesárea anterior, fui marcada para conversar com a obstetra no hospital para ela me convencer a fazer parto natural. A consulta durou 30 segundos, já que quero muito o parto natural.
Outra coisa: o parto aqui, é parto natural. No Brasil, sei que paga-se um absurdo para "tentar" um parto natural, aqui é só chamado de parto. Todas as midwifes desencorajam a peridural, dizendo que não se sabe os reais malefícios para o bebê, e que se sabe que a anestesia pode sim acarretar em mais intervenções para a mulher e bebê. Elas tem disponível gás e oxigênio para usar durante o trabalho de parto, e só aplicam a anestesia se a mulher requisitar e precisar.
Acho todo o processo muito legal. Primeiro porque a mulher é a protagonista da coisa toda, não existe aqui do "médico que fez o parto da fulana" quem faz o parto da fulana é ela mesma. E como tudo aqui, o "se você quiser" é o mais importante. Eles podem indicar, mas nunca, em hipótese alguma vão questionar se você não quiser.
Por isso, o plano de parto é tão importante. Nele a mulher descreve todos os procedimentos que gostaria e não gostaria de passar. Não é um contrato, claro, porque é impossível prever um parto, mas é uma segurança a mais para a criatura que está ali naquela situação um tanto dolorida, não ter que ficar justificando e explicando o porque de querer ou não aquilo. No plano de parto aparecem coisas como: intenção ou não de anestesia, quem vai acompanhar o parto, se quer pegar e amamentar o bebê logo em seguida, se quer esperar o cordão parar de pulsar antes de cortar, se quer ir pra casa o quanto antes, se quer usar bola de parto, chuveiro, banheira e outro ítens.
Ontem eu e o Bernardo fizemos "reunião plano de parto" e conversamos sobre o que eu queria. Escrevemos e vou levar para discutir na semana que vem com minha midwife. Coloquei as coisas mais importantes para mim, mas com a consciência de que as coisas podem não sair como planejei.
Recebi um folha sobre VBAC (vaginal birth after cesarea) e lá dizia que o ideal seria que eu fosse para o hospital assim que entrasse em trabalho de parto, e quem também seria bom monitorar o bebê durante. Mas se eu disser que não quero, que vou ficar em casa o máximo possível e não quero monitoração, tudo bem também. Eles respeitam as decisões, e acreditam que só a mulher/mãe sabem o que é melhor pra ela mesmo.
E esse respeito, pelo processo de cada uma, não tem plano de saúde que pague.